Debate sobre os impactos da pandemia na educação brasileira
Enviada em 20/10/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornada a base. Nesse sentido, a ficção mitológica pode ser relacionada aos impactos trazidos pela pandemia na educação brasileira, a qual enfrenta desafios para oferecer um ensino a distância de qualidade. Essa realidade se deve, essencialmente, da falta de recursos tecnológicos, bem como de uma negligência estatal frente a problemática.
Em primeiro plano, é possível destacar que a ausência de recursos, como a internet contribui para a persistência do problema. Nesse contexto, uma pesquisa divulgada pelo site G1 revela que apenas 20% dos estudantes estão conseguindo acompanhar as aulas e as atividades online. Sob esse viés, apesar do Ensino a Distância (EAD) ser um mecanismo que facilita a formação educacional dos indivíduos durante a pandemia, a falta da internet inviabiliza o desfruto desse método que, por consequência, partes dos discentes são prejudicados em sua formação educacional por não possuírem tal recurso. Diante disso, a persistência dessa conjuntura contribui para a ascenção das desigualdades sociais e dos impactos sofridos na educação.
De outra parte, é preciso pontuar a ausência de intervenções governamentais diante do exposto. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, determina que todos os cidadãos têm direito à educação. No entanto, o governo é falho em garantir essa premissa, haja vista que frente ao contexto de pandemia, os estudantes mais pobres da sociedade enfrentam problemas econômicos em casa devido aos desempregos, sendo obrigados a trabalharem para contribuírem no sustento da família, que pode interferir no desempenho escolar do aluno ou até mesmo na sua evasão. Desse modo, se faz necessário mudanças nesse panorama para a garantia de tal direito.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, por meio de um sistema técnico avançado, fornecer internet gratuita a população de baixa renda do país, com objetivo de democratizar o acesso à internet pelos estudantes, garantindo assim uma qualidade de ensino igualitária para todos. Ademais, cabe ao Governo Federal criar, através de verbas governamentais, auxílios financeiros as famílias carentes, a fim de que as crianças e os adolescentes não precisem trocar a escola pelo trabalho, podendo se dedicar inteiramente ao aprendizado. Assim, será possível distanciar a sociedade brasileira do mito grego.