Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 27/09/2021
O filme “Garota Exemplar” demonstra como os casos de violência dosmética podem acontecer quando o casal permanece em uma relação turbulenta e como esse crime é oculto na sociedade. Nesse sentido, a quarentena foi um período marcado por alterações psicológicas que afetaram os hábitos comportamentais e o tratamento interpessoal. Ademais, o isolamento social desencadeou em uma fase a qual a vítima não tinha condições necessárias para fazer a denúncia, por causa da permanência do agressor em casa. Enfim, esse aumento representa o fracasso público em proteger esses alvos.
Sob essa ótica, o isolamento social afetou as condições mentais de muitos indivíduos, inclusive de possíveis agressores. Nessa perspectiva, Alberto Filgueiras - professor universitário da UERJ - iniciou uma pesquisa sobre o comportamento dos brasileiros durante a pandemia e os resultados mostram que os casos de depressão dobraram e o desenvolvimento de ansiedade aumentou em 80%. Por conseguinte, os desdobramentos da quarentena causaram todos esses prejuízos aos cidadãos e as incertezas sobre trabalho, estudo e saúde são fatores para que o estresse tenha aumentado dentro das residências e os índices de violência doméstica subido tanto nesse período, ou seja, a saúde mental é um pilar importante para reduzir a ocorrência desse crime, muito presente nas casas brasileiras. Logo, são imprescindíveis políticas direcionadas à garantia do bem-estar psicológico da população.
Outrossim, a quarentena prejudicou muitas vítimas ao manter o agressor compulsivo sempre por perto. Sob esse viés, nos dois primeiros meses de pandemia, dados do Forúm Brasileiro de Segurança mostraram um aumento nos casos de feminicídio, porém houve uma diminuição nos registros de lesão corporal dolosa em decorrência de violência doméstica. Nesse prisma, essa redução é reflexo do maior tempo o qual o criminoso permaneceu ao lado do alvo e mesmo com todas as restrições impostas, a occorência de assédio sexual também não diminui em comparação ao passado e as pessoas que mais sofrem com todos esses crimes são mulheres negras, divorciadas e jovens segundo o Datafolha. Em síntese, é necessária a intensificação da ação por parte dos orgãos competentes de segurança pública.
Portanto, esse aumento foi reflexo de vários desdobramentos da quarentena e da persistência de agressores nas residências. Assim, o Ministério da Saúde deve amenizar os impactos na saúde mental da população prejudicada, por meio do atendimento de psicólogos em ambientes públicos principalmente realizando campanhas em áreas periféricas onde a população não possui acesso a esses serviços, a fim de reduzir o estresse e outros transtornos na sociedade. Além disso, o Poder Público tem que promover mais meios de realizar uma denúncia, por intermédio de ampliar o número de delegacias especializadas nesses casos, para que atenda a alta demanda de vítimas existentes.