Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 25/09/2021
Em sua obra “Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil”, Sueli Carneiro propõe uma reflexão crítica, sobretudo, direcionada às diferenças de gênero no país. Tal análise da escritora aponta alguns dos motivos que formam a violência doméstica no Brasil, caso agravado durante o isolamento social causado pela pandemia de COVID-19. Logo, o aumento de casos de agressão doméstica deriva de uma manutenção histórica do sexismo, além de contar com a limitação do meio social causada pela epidemia global do novo coronavírus.
Vale ressaltar, em princípio, que a emancipação feminina é um processo iniciado recentemente na história, o qual luta contra a construção cultural da mulher como subordinada ao homem. Assim, no Brasil, colonizado por Portugal, tais moldes arcaicos de inferioridade no gênero se mantiveram presentes, o que proporcionou uma normalização de atos violentos como comportamento causados pela cultura da época. Desse modo, essa banalização de atos agressivos, juntamente com a discriminação para com a figura feminina, gera um cenário de permanência de violencia doméstica. Sob esse viés, destaca-se a ótica de Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raizes do Brasil”, na qual aponta que o país mantém os moldes coloniais de discriminação e patriarcalismo.
Ademais, pontua-se que a restrição de contato social proporcionada pela quarentena durante a crise sanitária intensifica a denúncia de atos residenciais violentos, uma vez que a permanência no meio em que há a violência é demandada pelo isolamento. Tendo isso em vista, surge, nas mulheres, a necessidade de tomar providência contra a dominação criminal por parte do agressor, o qual busca afirmar o seu papel segundo os moldes históricos de preconceito. Dessa forma, tais mecanismos de sobreposição social são abordados pelo sociólogo Pierre Bourdieu, na obra “A Dominação Masculina”, na qual aponta como forma de opressão a violência não somente física, mas também simbólica, caracterizada por agressão sem coação física. Por fim, além de riscos físicos, tal cenário resulta em danos à saúde mental das figuras femininas, devido às intimidações morais.
Portanto, tem-se que o atual quadro de violência doméstica no Brasil apresenta uma mentalidade arcaica de preconceito para com a mulher, além de representar severos danos à integridade das mesmas, o que urge em ser amenizado. Isso posto, deve o Estado, em parceria com ONGs, criar e ampliar campanhas contra a violência, por meio de programas para conscientizar as mulheres de seus direitos, além de buscar reduzir o receio de uma denúncia contra o agressor, a fim de reduzir a discriminação histórica de subordinação e aplacar danos à integridade fisica e mental feminina. Destarte, pode-se ver uma sociedade livre das diferenças que influenciaram a obra de Sueli Carneiro.