Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 24/09/2021
De acordo com o Artigo 5º da Constituição federal de 1988, é garantido aos indivíduos o direito inalienável à vida e o direito à segurança. Evidentemente, a violação da ordem está presente na rotina de muitos brasileiros que, principalmente durante a pandemia de Covid-19, passaram por um aumento no número de casos de abusos domiciliares devido à desigualdade nas relações conjugais e à intensificação dos conflitos familiares. Desse modo, é fundamental tomar medidas cabíveis para atenuar a problemática.
Nesse viés, convém destacar as agressões domésticas sofridas por mulheres. A princípio, percebe-se uma disparidade no número de casos reportados devido ao poder associado à figura masculina, uma vez que as vítimas são majoritariamente mulheres. Segundo Michel Foucault, em sua obra “Microfísica do Poder”, o poder opera em todas as relações e instituições sociais e é responsável pela coesão dos discursos incutidos na sociedade. Analogamente à atual conjuntura nacional, a violência contra a mulher é perpetuada pois suas raízes estão vinculadas ao machismo e tal discurso é amplamente difundido desde os primórdios das civilizações ocidentais. Sendo assim, compreendem-se os conceitos fundamentais para a contextualização do empecilho.
Vale ressaltar, ainda, a ampliação dos conflitos familiares. Sob essa perspectiva, é possível salientar a sobrecarga emocional gerada pelo isolamento social, fator responsável pela comunicação violenta nos relacionamentos pessoais. A respeito disso, o filme “Moonlight”, lançado em 2016, retrata as repercussões no desenvolvimento de um jovem que sofre abusos psicológicos da mãe. Nessa ótica, é possível traçar paralelos com a realidade hodierna brasileira, visto que as tensões exacerbadas pelo confinamento em lares disfuncionais podem resultar em graves impactos na saúde mental dos jovens, que têm dificuldade em perceber o abuso de poder nesta instituição social, tendo em vista a normalização dos conflitos familiares. De tal maneira, entende-se a urgência da discussão do tema.
Em suma, são perceptíveis os crescentes casos de agressões domésticas no cenário hodierno. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a inserção de novas abordagens ao tema na grade curricular dos ensinos fundamental e médio, por meio da realização de palestras nas salas de aula, visando conscientizar os jovens e engajá-los no debate da problemática. Dessarte, será possível desfrutar de um cenário no qual a violência doméstica foi mitigada, conforme assegura o Artigo 5º da Constituição federal.