Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 27/09/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a rocha retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana das mulheres sofrido de violência doméstica as quais buscam ultrapassar as barreiras que as separam do direito à segurança. Nesse contexto, não há dúvidas que o aumento da violência doméstica é um desafio no Brasil, o qual ocorreu, infelizmente, devido não só ao silenciamento sobre essa questão, mas também à negligência estatal.

Dessa forma, a falta de informações é um desafio presente no problema. Segundo a filósofa Djamila Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que as soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão da violência, visto que pouco se fala sobre esse assunto nas mídias de massa, só sendo comentado sobre o assunto quando alguém que a sociedade considera importante sofre desse tipo de violência. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Em paralelo, a falta de investimento governamental é outro entrave no que tange ao problem. De acordo com Zygmunt Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida na questão da agressão doméstica, uma vez que, uma pesquisa realizada pela revista Piauí revela que o número de Delegacias da Mulher está em queda no Brasil. Logo, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.

Diante disso, medidas devem ser reduzidas para minimizar a problemática. Para isso, o Poder Público deve investir na prevenção e denúncia da violência doméstica, por meio da destinação de verbas, um fim de reverter a supremacia de interesses mercadológicos que impera. Com essa ação, espera-se que a agressão doméstica seja excluída da sociedade brasileira.