Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 12/09/2021

Em 2020, a pandemia do novo coronavírus foi responsável pela paralisação de diversas atividades educacionais e profissionais. Como efeito dessa conjuntura, muitas mulheres, por vezes vítimas rotineiras de diversos tipos de agressões, foram obrigadas, em meio à crise sanitária, a conviverem com os seus agressores. Sob essa perspectiva, a violência histórica e social contra as mulheres que ocorria esporadicamente foi facilitada e, conseguintemente, aumentou significativamente.

Antes de tudo, a cultura da violência contra a mulher não é um fenômeno hodierno. Na verdade, desde a Antiguidade, grandes pensadores, como Aristóteles- responsáveis pelo imaginário social contemporâneo- contribuíram para a objetificação feminina e, ao mesmo tempo, naturalizaram diversos abusos, tais como, o psicológico, físico, moral e sexual. Como efeito, as violências de gênero, verificadas, sobretudo, em períodos de isolamento social, apenas expõem a chaga histórica da coerção vivenciada por esse grupo.

Ademais, de acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, 1 em cada 3 mulheres, durante o contexto pandêmico, foi violada física ou sexualmente. Essa realidade, segundo avaliação da filósofa e feminista Simone de Beauvoir, se explica pela posição de vulnerabilidade social ocupada pela mulher no seio social, como também, pela sua proximidade em relação aos seus potenciais agressores. Assim, elas normalmente são massacradas e vitimadas pelos parentes mais próximos, como, por exemplo, pai e irmão; contribuindo, dessa forma, para o aumento da sua insegurança e desvalorização.

Portanto, diante desse contexto, urge que medidas sejam elaboradas a fim de mitigar o problema. Primeiramente, a Secretaria de Políticas para Mulheres, órgão responsável pela proteção dos direitos e da vida da mulher, deve intensificar o diálogo com toda a sociedade, além disso, por meio de propagandas, ensinar às prováveis vítimas modos de identificar as múltiplas opressões relativas ao gênero e como denunciá-las.