Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 16/04/2021
A covid-19, doença que atingiu o Brasil no início de 2020, agravou um problema social já existente, a violência doméstica. Isso ocorre, em razão da intensificação do convívio entre mulheres e parceiros violentos. Assim, os casos de feminicídio e transtornos mentais têm crescido de forma drástica.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a violência doméstica já era tema de preocupação das autoridades estatais, e, com o isolamento social, medida adotada para combater a pandemia, as denúncias contra crime de feminícidio aumentaram signicamente. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no primeiro semestre de 2020, os feminicídios cresceram cerca de 2%, totalizando 648 casos. A partir disso, fica evidente a consequência imediata de parceiras que estão em relacionamentos agressivos e convivem por muito mais tempo com seus companheiros em um contexto de ameaça.
Ademais, os traumas psíquicos, desencadeados pela intimidação, são fatores responsáveis pelo adoecimento mental. A sensação de medo e insegurança, cicatrizes que se fixam na memória das vítimas, estão cada vez mais relacionadas com o aumento de doenças mentais. De acordo com o psiquiatra Amaury Cantilino, a violência doméstica é um das principais causas que ocasionam quadros depressivos em mulheres e que elas, infelizmente, começam a projetar a ideia de suicídio. Diante disso, é preciso auxiliar e amenizar os sentimentos de sofrimento psicológico que atingem, principalmente, o sexo feminino em casos de agressividade no âmbito familiar.
Portanto, é necessário que as delegacias disponibilizem medidas que facilitem as denúncias. Um exemplo, seria a implementação de canais eletrônicos anônimos, que tenham objetivo de efetuar denúncias de agressões e ameaças sem sair de casa. Além disso, ofertar atendimento psicológico também se faz útil, visto que, muitas vítimas são acometidas pela aflição de conviver em um ambiente traumático.