Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 18/03/2021

Em 2020 explodiram os casos de covid-19 no Brasil e provocaram, em alguns estados, o fechamento de diversos serviços e a maleabilidade das escalas de trabalho, permetindo o trabalho em casa. Nesse sentido, o tempo de convivencia familiar aumentou drasticamente, evidenciando lamentáveis microestruturas de poder que antes já existiam, mas agora são expostas com mais frequência.

No que tange à violência doméstica, é de suma importância destacar a centralização do poder, majoritariamente, no pai. Isso ocorre, sobretudo, devido a mentalidade cultural difundida de pai para filho e, muitas vezes, de mãe para filha. Tangente a isso, o patrono da sociologia Émile Durkheim fundamentou o seu conceito de fato social: geral, externo e coercitivo. Assim, observando a microestrutura de dominação como um fato social, é fundamental que haja uma desconstrução também geral desse pensamento, para assim diminuir a coercitividade dessa mentalidade.

Outrossim, é fundamental entender como essa centralização do poder em tempos de pandemia possibilita o aumento dos casos de violência. Em muitos lares no Brasil, devido a estrutura patriarcal, frequente não possibilitam o questionamento das decisões paternas por filhos e, muitas vezes, nem a participação da mãe. Sob essa ótica, a ampliação do tempo de convivencia, seja devido ao home office, seja devido à temporária suspensão da escola em alguns estados,  promove o aumento dos casos, mas não o surgimento do problema estrutural. Assim, o Atlas da Violência, de 2020, demonstrou a importância do Estatudo da Criança e do Adolescente no combate à violência doméstica, algo que deve ser aplicado.

As agreções domésticas, portanto, são fundamentadas por fatores estruturais que devem ser combatidos. É papel das Secretarias de Educação, em consonância com as pedagogas de cada escola, fundarem um projeto com participação dos pais e filhos, para a compreensão aprofundada das causas e gatilhos para esses casos. Nesses encontros, mostrar casos e dar protagonismo aos próprios pais é fundamental.