Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 02/03/2021
Embora seja um crime grave, a violência doméstica, principalmente contra mulher, é algo muito presente no Brasil e na quarentena os números foram aumentando cada vez mais. De acordo com dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro(TJRJ) houve um aumento de 50% de casos desde o início do confinamento somente no Rio de Janeiro. A cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado.
Diante disso, é notório que nem todas as mulheres denunciam seu agressor, mas o que leva uma mulher a não denunciar? Essa pergunta pode ter diversas respostas, as vezes a vítima não sabe como denunciar, prefere não expor para não prejudicar os filhos, entretanto, a maior razão, é o medo. As mulheres tem medo que o agressor descubra e faça algo pior com elas, isso acontece porque o Brasil ainda é um país muito machista, as autoridades não dão a devida atenção a violência doméstica e em muitos casos, mesmo a mulher denunciando e tendo provas, não há nenhum tipo de punição.
Certamente, essa questão ficou bem mais complicada na quarentena, visto que a maioria tem como agressor o marido, companheiro. O filme “A Vigilante” retrata bem essa agressão, já que conta a história de uma mulher que é vítima de agressões do ex-marido e com isso ela se torna uma vigilante, com o propósito de superar o próprio trauma e ajudar mulheres na mesma situação. A sufragista e feminista inglesa Christabel Pankhurst uma vez disse: “É nosso dever tornar este mundo melhor para as mulheres”, é preciso união para que esse número de violência doméstica não seja normalizado. No que se refere a essa problemática, muitos associam só à agressão física, mas vai muito além, existe agressão verbal, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Em muitas vezes o agressor começa humilhando e ameaçando a vítima, fazendo com que ela desenvolva um trauma, para que depois, quando as coisas avançarem, ela ter medo de denúnciar.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham diminuir os casos de violência doméstica na quarentena. Por conseguinte cabe ao governo, juntamente com a imprensa, darem mais visibilidade aos casos e fazer com que a população tenha noção do quão grave é. A lei Maria da Penha deve ser sempre fortalecida para que as mulheres saibam que não estão sozinhas, deve haver campanhas com outros meios pelo qual a mulher possa fazer essa denúncia, como por exemplo a campanha do sinal vermelho, onde a mulher faz um “X” vermelho na mão e vai até uma fármacia, para que o farmacêutico possa pegar os dados dela e fazer a denúncia sem levantar suspeita e também tem um sinal com a mão que pode ser feito como um pedido de ajuda, no qual a mulher levanta uma palma da mão, fecha o polegar e em seguida abaixa todos os dedos.