Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/10/2020
É de conhecimento geral que a violência doméstica é mais comum do que aparenta, e, em tempos de quarentena, se tornou ainda mais comum, tendo em vista que o atual período intensifica a convivência entre a família, que, somado ao aumento do consumo de alcoól, gera inúmeras discussões e, possivelmente, agressões fisícas e psicológicas. O filme “O Homem Invisível”, lançado em 2020, retrata muito bem a situação, mostrando o ponto de vista de uma mulher aterrorizada pelas agressões do marido.
Ao se examinarem os dados do Forúm Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), verifica-se um aumento nos casos de violência contra a mulher, principalmente, em São Paulo, Acre, Rio Grande do Norte e do Sul, Mato Grosso e Pará, outros dados do mesmo instituto apontam um aumento de 431% em todo o país. Em São Paulo, por exemplo, a expedição de pedidos de restrição cairam drasticamente, ou seja, havia uma subnotificação por causa do fechamento do atendimento presencial nas delegacias, a queda foi de 35% em abril, sendo registradas apenas 6.043 denúncias contra as 9.298 feitas no mesmo mês do ano passado.
Outra preocupação constante das mulheres que sofrem abuso são seus filhos, o envolvimento com as crianças é tão grande que pode fazer com que algumas mulheres nem percebam que estão sofrendo abusos psicológicos. Obviamente, esse não é o único impedimento, sabendo-se que, grande parte, é desencorajada por familiares e amigos que não compreendem a gravidade do problema ou não se importam o suficiente para entender e ajudar a mulher. Também existem casos de mulheres que são retiradas de seu convívio social pelo parceiro, mantendo-as de ver seus familiares e parentes, tornando o pedido de socorro quase impossível.
Em vista dos argumentos apresentados, nota-se que que os casos de violência doméstica devem continuar em alta, contudo, as denúncias a distância também devem subir. Projetos como “Sinal Vermelho” e iniciativas de empresas e da própria sociedade, muitas mulheres possam ser salvas e não acabar com traumas como o da protagonista de “O Homem Invisível”.