Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 03/09/2020

Os casos de violência feminina são uma triste realidade no mundo. Apesar de já existirem antes da pandemia da covid-19, eles se multiplicaram nos tempos atuais, devido ao isolamento social e ao “home office”, que é o trabalho remoto. Confinadas em seus lares, as mulheres são vítimas de duas ameaças ao mesmo tempo: um vírus letal e pessoas de seu convívio doméstico. No anuário de Segurança Pública, divulgado em 2019, 75,9% das vítimas de violência sexual possuem algum tipo de vínculo com o seu agressor, seja ele pai, padrasto, cônjuge, irmão, etc.

Para muitos especialistas, um elo importante de ligação da vítima com o agressor, nesse caso seu cônjuge, são os filhos. Por causa deles, e da relação com os pais, muitas não denunciam com receio de que as retaliações prejudiquem seus filhos. As mulheres têm medo, e dificuldade de identificar o terrorismo psicológico, que pode evoluir pra violência doméstica e até feminícidio. A agressão física normalmente é o último estágio, sendo as violações psicológicas, patrimoniais, morais e sexuais também caracterizadas como violência doméstica.

Em geral, há uma espiral da violência. Seu início se dá pelas violações psicológicas, e pela fase de tensão, que para muitos especialistas é a fase de insultos e xingamentos. Essa hélice escala para a fase da agressão, que pode ser física ou não. Após isso, há a fase de descida da espiral, o apaziguamento, de promessa de melhora por parte do agressor, o que não ocorre, retornando para a escalada de tensão. Há também o velho ditado que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, o que é uma clara abstenção e conivência com o agressor por parte dos que acompanham a briga.

Tendo em vista os aspectos observados, conclui-se que é extremamente necessário que haja uma ação por parte do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, para que os aparelhos de denúncia sejam reforçados. Cabe também, ao Ministério, um reforço na publicidade dos disques-denúncia, como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 100 (Disque Direitos Humanos). É preciso que haja, também, um maior acolhimento na sociedade para essas vítimas, e uma maior interferência de vizinhos ou de parentes nas brigas, pois isso pode reduzir as chances de o agressor chegar as vias de fato: o feminicídio.