Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 02/09/2020
Para a maioria das pessoas ficar em casa nesse momento de quarentena é sinônimo de proteção. Mas para muitas mulheres, de diversas idades e condições econômicas, que também precisam lidar com o medo de contaminação pelo vírus, a quarentena representa o desafio de permanecer trancada com o agressor em seu próprio lar, 24 horas por dia. Em meio à pandemia, uma dura realidade, mascarada em muitos lares, torna-se, agora, mais visível.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 47% nos casos de violência domestica uma vez que as mulheres ficam presas com seus maridos ou parceiros abusivos sem poder ia a uma delegacia.Também já foi comprovado que um terço das mulheres em todo o mundo já experimentou alguma forma de violência em suas vidas, seja física ou psicológica.
Apesar do maior volume de denúncias, o aumento da violência doméstica escapa das estatísticas dos órgãos de segurança pública. A razão é que, isolada do convívio social, a vítima fica refém do agressor e impedida de fazer um boletim de ocorrência na delegacia, o avanço de casos de violência doméstica na pandemia não ocorre só no Brasil. Outros países que enfrentaram a covid-19 tiveram o mesmo problema. Diante da dificuldade das vítimas de pedir socorro, estão surgindo várias iniciativas de canais silenciosos de denúncias.
Ao que tudo indica, a sociedade está caminhando para um modelo de intervenção do problema da violência doméstica que não se distancia da utilização do direito penal mas que exige a interferência de outros setores no trato do problema, concluímos em outro artigo que a sociedade civil demandava uma legislação penal repressiva para coibir a violência doméstica e a melhora das instituições responsáveis pela aplicação da Lei Maria da Penha para combater a impunidade.