Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/09/2020

Na faixa “Dollhouse”, a cantora norte-americana Melanie Martinez faz uma alusão às famílias que escondem os conflitos internos para serem bem aceitas e passarem uma falsa imagem para a sociedade, comparando as mesmas com uma casa de bonecas. No Brasil, isso ocorre frequentemente, pois as famílias, e principalmente as esposas mantém as brigas, os conflitos e até mesmo as agressões que acontecem no lar da porta de entrada para dentro, por medo e opressão do seu respectivo agressor, resultando no aumento dos episódios de violência doméstica.

Além disso, antes da quarentena ser iniciada no Brasil, a população feminina ainda conseguia passar um tempo longe de casa e encontrar conhecidos pela rua, o que facilita a conversação, onde possibilitava a vítima de pedir ajuda. Porém, com o isolamento social devido a propagação da Covid-19, as mulheres que antes sofriam agressões dos parceiros dentro de casa, encontram-se mais suscetíveis a violência agora, pois convivem com seus agressores abusivos por um período muito maior e intenso. Assim, elas têm muito mais dificuldade de comunicação externa. Houve uma queda nos boletins de ocorrência e processos no período de pandemia que não corresponde à realidade das agressões, pois a vítima fica impedida de ir à delegacia.

Como resultado, o aumento dos registros envolvendo violência contra a mulher em abril de 2020 subiu quase 40% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Graças ao isolamento social, vítimas são obrigadas a ficarem sozinhas com seus atacadores, á mercê de abusos, tanto físicos quanto psicológicos, confinamento e maus tratos. Sendo assim, as vítimas têm uma grande dificuldade de buscar ajuda de dentro de casa.

Portanto, cabe ao governo federal promover uma ação em conjunto com programadores, desenvolver um aplicativo gratuito para que as vítimas consigam, através deste, notificas as autoridades de suas respectivas situações, por meio do download disponível nas lojas virtuais. Neste aplicativo deve conter um simples botão, onde ao ser pressionado, envia os dados já cadastrados da vítima aos centros mais próximos de apoio à mulher, como endereço e os dados do agressor. Desta forma, espera-se frear o aumento da violência doméstica durante a quarentena.