Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/09/2020

Em meio à pandemia, o isolamento social pode ser considerado sinônimo de proteção e segurança por muitas pessoas. Entretanto, isso não se aplica à muitas mulheres que, além de lidar com o medo de contaminação pelo vírus, precisam permanecer trancadas com seus agressores. Apesar da lei Maria da Penha (sancionada em 2006) ter criado mecanismos de proteção e defesa às mulheres, a violência doméstica ainda é um problema global que atinge diferentes idades e classes sociais. E, por consequência da crise gerada pelo novo coronavirus, a Central de atendimento à mulher registrou um aumento de quase 40% nas denúncias de agressão.

Mesmo com o preocupante crescimento dos casos de violência contra a mulher, o Governo Federal, em 2019, zerou os repasses que seriam destinados à proteção das vítimas da violência de gênero no Brasil, o que diminui, significantemente, as chances de garantir a segurança dessas mulheres, principalmente, diante do cenário pandêmico atual. O tema não se tornou prioridade governamental nem mesmo quando o Ministério da Saúde confirmou que uma mulher é agredida a cada 4 minutos no país.

Por falta de auxílio da esfera federal, campanhas como a do sinal vermelho na mão foram criadas com o intuito de estimular as denúncias de violência durante a quarentena, já que, muitas vezes as vítimas não buscam ajuda por conta da violência psicológica feita pelos agressores. Nesse contexto, destaca-se o consumo em excesso de álcool, que intensifica as tensões na convivência conjugal, corroborando para a violência física, moral, sexual e, até mesmo, patrimonial.

Portanto, é competência do Ministério da Justiça junto ao Ministério da Saúde, garantir a segurança das mulheres que passarem por esse trauma, além de promover atendimento psicológico de qualidade pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Além disso, é necessário que a esfera midiática colabore com sua influência na divulgação de campanhas e projetos de proteção às vítimas, para que mais mulheres sejam alcançadas e salvas.