Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 01/09/2020

A violência contra mulher não é atual, e mesmo com a obtenção de diversos direitos femininos, ela ainda persiste até hoje. Entretanto, o cenário de pandemia vivido em 2020 foi um fator agravante de tal quadro, segundo o jornal O Globo, houve um aumento de 50% dos casos de violência doméstica. Desse modo, para  entender porquê isso ocorre, vale debater dois fatores: a cultura de inferiorização feminina e a ineficiência das medidas de combate atuais.

Em primeiro lugar, o lar abusivo não foi criado pela pandemia, segundo o Datafolha, quase 2 milhões de mulheres sofrem violência doméstica por ano. Nesse viés, pode-se observar que o isolamento apenas aflorou essa mazela social que já era cotidiana nas famílias brasileiras. Portanto, vale citar a pensadora Simone Beauvoir: “não se nasce mulher, torá-se”, a qual reflete que a identidade inferior feminina não é algo de berço e sim criada socialmente, por isso, essa submissão ao abusador torna muito mais difícil sua liberdade, logo, mesmo com tantos avanços da cidadania feminina, enquanto não freada essa cultura, a brutalidade ainda será presente na vida de milhares de mulheres.

Outrossim, na pandemia, foram criadas diversas maneiras facilitadoras de denúncias, mas que tornam-se ineficientes. Nesse contexto, pode-se citar a campanha do Magazine Luiza, que forneceu em seu aplicativo uma área para recolhimento de depoimentos, entretanto, essas ações infelizmente não chegam igualitariamente a todas, principalmente às em situações de vulnerabilidade, as quais têm acesso bastante limitado a informações. Por esse motivo, embora seja muito importante os meios de denúncias é sumamente essencial que esteja em conjunto com os atos de conscientização.

Dessarte, medidas necessitam serem tomadas, por isso, o Ministério da Educação deve investir no ensino de base para educar as meninas a identificarem precocemente os possíveis relacionamentos abusivos e discutir a igualdade de gênero, o que ocorrerá, por meio da inserção da educação sexual nas escolas de Ensino Fundamental. A partir disso, poderá ser freada -pela educação disponível a todas-, a atual cultura sexista que submete mulheres a atos violentos, aflorados em 2020.