Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 28/06/2020
É fato que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo, sendo colocado em nona posição nno “ranking” feito pela Organização Mundial de Saúde e, entre os vários tipos de agressões, o que mais se destaca é a domiciliar. Com isso, a violência doméstica durante a quarentena é ainda mais preocupante, pois não só a convivência entre os moradores das residências está maior, como também, muitas vezes, há dificuldades em denunciar as agressões.
Nesse sentido, devido ao isolamento social, as interações entre as famílias de todo o país cresceram ainda mais e, ao mesmo tempo, a violência dentro de casa também. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de casos de agressões contra mulheres cresceu em 50%, aproximadamente, durante a pandemia. Na quarentena, muitas mulheres trabalham apenas em casa e isso torna-se uma dificuldade, pois muitas vezes, o horário de trabalho é o único período de “escapar” das violências sofridas em suas residências. Com a falta dessa “válvula de escape”, as chances das cidadãs serem agredidas é cada vez mais grave. Logo, com o isolamento social, as taxas de agressões contras as mulheres cresce em níveis alarmantes devido ao aumento da convivência entre as pessoas de uma mesma casa.
Além disso, apesar da grande presença de campanhas contra a violência doméstica e de incentivos para a denúncia de tais atos, por estarem em casa, muitas mulheres têm cada vez mais dificuldade de denunciar as agressões e quem as faz. Na matéria do website “Agência Brasil”, mostram-se dados sobre como os boletins de ocorrência, no Acre, tiveram uma queda de 30%, o que é um problema, pois menos pessoas estão procurando as autoridades para reportar os casos de violência feminina. Por conta do isolamento, muitas mulheres não são capazes de ir a delegacias e sentem ainda mais medo de usar o telefone, pois a proximidade com o agressor é ainda maior e ele pode descobrir que as queixas contra ele estão sendo feitas. Então, a quarentena é um fator que dificulta as denúncias contra as violências domiciliares, fazendo com que os números casos de agressões continuem altos.
Portanto, as agressões domésticas acontecem em nível ainda maior durante a pandemia, devido à maior convivência entre a vítima e o agressor e, também, à dificuldade de reportar as ações violentas presenciadas dentro das casas. Para amenizar o problema, as empresas televisivas não devem divulgar a campanha do “Sinal Vermelho” de forma tão explícita, pois os agressores podem assistir e controlar ainda mais as vítimas, o que pode piorar a situação de pânico dessas. Ao invés disso, Farmácias e outros estabelecimentos de uso essencial as pessoas deviam divulgar a campanha presencialmente para todas as clientes mulheres, afim de as informar e para que essas avisem outras.