Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 28/06/2020

No livro “Feminism is for everybody”, escrito por Bell Hooks, aborda a violência doméstica em cima da mulher e os prejuízos tanto físicos, quantos psicológicos trazidos a ela. Infelizmente, a agressão contra a mulher é uma consequência de um passado machista e preconceituoso. É notório que o machismo ainda existe e traz às mulheres malefícios como a agressão, abusos e morte.

Tendo em vista que o Brasil é um dos países com o maior índice de mortes de mulheres, é notório a falta de importância que este assunto ainda é tratado. Em 2019 um levantamento feito pelo G1, aponta que mais de mil mulheres são mortas pelo fato de serem mulheres- uma a cada 7 horas. No dia 7 de agosto de 2006 a Lei Maria da Penha foi criada visando a proteção a mulher de violência doméstica e familiar. Contudo, não são todas que conseguem denunciar seu abusador, muitas vezes por medo do que pode ser feito após a denuncia, por saber que muitos casos não são ouvidos pela polícia ou até mesmo pela ameaça em cima de familiares.

Em consequência disso muitos casos são velados e o número de mortes, abusos etc, apenas aumentam. No Estado de São Paulo, a polícia militar registrou, durante a quarentena, um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas da violência e 46,2% no feminicídio. Portanto, com a quarentena houve um índice excessivo de vítimas pelo fato de estarem no mesmo ambiente 24 horas por dia com o seu abusador. Diante do isolamento social, a denuncia é algo complicado e com isso, medidas foram tomadas, por exemplo, o  “Sinal Vermelho”, no Espirito Santo. Esta campanha serve para todas as mulheres que estão passando por violência doméstica durante a quarentena. Sendo utilizadas em farmácias, a mulher apenas escreve um “X” em vermelho na mão fazendo com que a farmácia acione a polícia e prenda o abusador imediatamente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Cultura, em conjunto com a Lei Maria da Penha, deve propor a criação de uma campanha chamada “SOS”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal campanha será utilizada por todas as mulheres que sofrem de abuso e violência doméstica, possibilitando a denuncia em lugares comerciais apenas com um papel escrito “SOS”. Espera-se, com essa ação, a diminuição de homicídios e de violências, e assim, que os abusadores sejam punidos corretamente.