Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 30/06/2020

Um olhar sobre a violência doméstica na quarentena

Em 2003, a Rede Globo de televisão exibiu a novela “Mulheres Apaixonadas”, na qual era contada a história da professora Raquel, vítima de violência doméstica pelo seu marido e a dificuldade da mesma em denunciar o que passava.No Brasil hodierno, por sua vez, a ficção da vida de Raquel torna-se cada vez mais realidade, principalmente no atual cenário de quarentena diante da pandemia causada pelo covid-19. Neste contexto, o machismo estrutural e a dependência econômica da maioria dessas mulheres de seus parceiros formam um quadro nacional que precisa ser modificado.

Primeiramente, há de se salientar que o fato da convivência entre familiares estar mais intensificada na quarentena, ressaltou o machismo estrutural que permeia a nação brasileira desde a sua formação. O machismo no Brasil está presente desde a colonização, formando a estrutura do que hoje é o país. Exemplo disso é a falta de acolhimento da vítima de violência doméstica, que muitas vezes é vista como culpada pela agressão. Assim, a vítima fica desamparada e com medo de denunciar, ganhando força um discurso machista que culpabiliza a vítima.

Outro fator preponderante aponta para o fato de que muitas das mulheres vitimas de agressão doméstica dependem financeiramente de seu cônjuge para seu próprio sustento e o de seus filhos. Enquanto elas querem denunciar e se livrar da violência doméstica, como deixar a si e aos seus filhos desamparados financeiramente? A resposta para esta pergunta está na necessidade de moradia, alimentação e suprimentos  básicos, situação que impede a mãe vítima de procurar ajuda e a mantém no contexto de violência doméstica todos os dias.

A sociedade brasileira, portanto, encontra no machismo estrutural e na dependência financeira da maioria das vítimas, dois entraves para solucionar a questão da violência doméstica durante a quarentena. A fim de que se minimize este cenário, deve o Estado, em parceria com Delegacias especializadas e ONG’S, lançar o projeto “Violência doméstica: basta”, o qual ofertaria um canal de denúncias e um programa de proteção às vítimas, além de oferecer meios de subsistência  financeira através da oferta de empregos às vítimas. Aumentam-se, assim, as chances de que a ficção de Raquel seja realidade em cada vez menos vidas.