Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 27/06/2020

É importante ressaltar que nenhum homem se torna violento por causa do isolamento imposto pelo covid-19. Esta medida preventiva, aliada ao consumo de drogas, dificuldade financeira e estresse, apenas intensificam o ato criminal já corriqueiro do praticante. Além disso, se em condições comum, um dos principais fatores que dificultam o combate à violência doméstica é o silêncio das vítimas, na situação de confinamento com o agressor, a solicitação de ajuda é menor devido ao medo e a insegurança.

Afim de criar mecanismos para possibilitar a denúncia de infração contra mulheres durante a quarentena, muitas campanhas têm sido criadas. É o caso da campanha #isoladasimsozinhasnão importada pelo Brasil e outros países da América Latina, que faz um chamado para que cada pessoa preste atenção nos ruídos da vizinhança para identificar casos de agressão. Tal medida ganha eficácia para os casos em que a vítima possui medo de denunciar o agressor. Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou um aumento de 431% em relatos de brigas por vizinhos em redes sociais entre fevereiro e abril.

No entanto, estima-se que o número de casos que não entram nas pesquisas estatísticas por falta de denúncia é relativamente altos, fato comprovado pelo aumento do percentual de feminicídios. A insegurança e a procrastinação em realizar a denúncia, vem de um processo de manipulação e chantagem emocional por parte do agressor, como também, da dependência financeira e desconhecimento específico de boa parte das mulheres da legislação que as protegem. O medo da impunidade e da recorrência do crime impedem as vítimas de pedir ajuda, porém, não denunciar somente adia uma tragédia inevitável.

Por conseguinte, o Estado deve criar ações educativas, por meio de campanhas na internet, TV, nas escolas e em ambientes de trabalho, para que todas as mulheres detenham conhecimento das leis que as protegem, dos seus direitos como cidadãs e das ações preventivas. Contribuindo assim, para seu fortalecimento e superação da situação de violência.

Dessa forma, a falta de punição severa, de centros de reabilitação desses agressores contribui para que o crime se repita.