Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 26/06/2020
A partir da emancipação feminina que ganhou destaque entre o final do século XX e início do século XXI, teve-se um aumento na liberdade de praticar denúncias contra abusos e agressões domésticas, situação que inúmeras mulheres eram submetidas. Ademais, em decorrência ao isolamento social originado pela pandemia do coronavírus, a violência doméstica registrou significativo crescimento, visto que, se tem um aumento na convivência familiar, o que desencadeia tensões e desavenças, vale ainda ressaltar os graves traumas e consequências adquiridos pelas vítimas de tais agressões.
Nesse sentido, um estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), indica que o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou, em comparação ao mesmo período em 2019. Em comprovação, no Estado de São Paulo, a Polícia Militar registrou um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de violência, o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817. Além do mais, casos de feminicídios também subiram cerca de 46,2%. Nessa perspectiva, tem se como fatores relevantes a esse aumento, primordialmente, a convivência intensa, aglutinada à tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos, que contribui para os atuais índices de casos de violência doméstica. Ressalta-se ainda, o comportamento controlador por parte do parceiro, assim como grosseria e crueldade, como sinais de um agressor em potencial.
Por conseguinte, tal maneira de violência acarreta maléficas consequências, seja no âmbito físico, psicológico ou social. Além disso, especialistas afirmam que as vítimas desencadeiam dificuldade de se relacionar na sociedade, em relação ao trabalho, amizades ou cotidiano, ou seja, adquirem medos e traumas. Destarte, de acordo com o monge budista Tibetano, Dalai Lama, a violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de desespero e fraqueza, assim sendo, comprova-se a necessidade, além do apoio as vítimas, do acompanhamento psicológico de agressores, sendo efetuado nas penitenciárias, uma vez que, de acordo com a Lei nº 11.340 - Lei Maria da Penha -, agressões representam crimes e geram pena mínima de seis meses de detenção.
Assim sendo, por ser um problema atual, torna-se necessária a execução de ações em prol da redução das atuais taxas de violência doméstica, sobretudo no período de quarentena. Portanto, faz-se indispensável o apoio do Governo no aumento do número de centrais de atendimentos a mulheres, através de investimentos na área, para que se tenha infraestrutura para solucionar as ocorrências. Da mesma forma, configura-se notável a divulgação, pela mídia, de tais centros de apoio feminino, por meio de propagandas na TV e em redes sociais. Desse modo, com a redução da violência doméstica se terá um país mais igualitário, bem como uma sociedade mais justa.