Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 26/06/2020

Em 1955, o escritor João Cabral De Melo Neto publicou a obra ´´Morte e Vida Severina``. Na qual, objetivou promover uma reflexão crítica sobre os problemas sociais e culturais brasileiros daquela época. Porém, mesmo que muitos dos relatos contidos no livro não façam mais parte da sociedade contemporânea, o Brasil, ainda enfrenta os entraves acerca da violência em especial à doméstica, no período de quarentena que está sendo vivenciado. Ocasionalmente, esse assunto atinge a todos, de forma direta e indireta, pois à violência dentro dos lares reflete uma sociedade desamparada tanto física quanto psíquicamente. Negligencia-se, desse modo, uma questão que deve ser priorizada pelo Ministério da Segurança Pública e da Saúde, em busca de uma melhor convivência social.

A princípio, percebe-se que as instituições governamentais não estão a fazer seu papel de modo adequado, isso contribui para o aumento dos índices de violência, devido a insegurança dos indivíduos na busca por ajuda que muitas vezes não é compreendida e amparada por tais instituições. A esse respeito, Zygmunt Bauman elaborou o conceito ´´Instituição Zumbi``, segundo o qual algumas entidade - dentre elas o Estado - não estão a exercer seu papel de modo adequado e coesivo. Neste contexto, o Ministério de segurança pública se encaixa perfeitamente na teoria do sociólogo Polonês, pois, a segurabilidade social está falha, não conseguindo operar de modo preciso em muitos casos, deixando milhares vítimas de violência doméstica, desamparadas e sem possibilidades de mudança.

De modo análogo, é indubitável ressaltar que a saúde física e principalmente psíquica da sociedade está desregulada e problemática, sendo um cofator que influencia nas ações comportamentais, tanto em quem pratica a violência, quanto em quem é vítima. Diante disso, o célebre sociólogo Émille Durkheim destacou que o nosso egoísmo é em grande parte produto da sociedade.Portanto, a sociedade em geral deve priorizar a saúde psicológica de cada um, pois, é o principio de tudo, uma mente conturbada gera distúrbios e ações impensadas, que podem vir a desencadear a violência como um ponto de fuga para a saturação psicológica que essas pessoas abstém dentro de si.

Frente aos desafios que inoculam na sociedade, o Ministério da Segurança Pública e da Saúde devem viabilizar centros de acolhimento e auxilio de fácil acesso ao público, que garantam segurança e privacidade às vítimas que os procuram, já os praticantes de violência devem ser punidos perante a lei de acordo com seus atos e terem a possibilidade de acompanhamento psicológico. Porém, para ter uma maior efetividade desses programas, deve-se haver o incentivo a população, através de campanhas televisivas e jornalísticas, que destaquem os direitos e deveres populares. Somente assim, poderá efetivar-se uma esperança como aquela deixada no final do livro de João Cabral De Melo Neto.