Debate sobre a saúde pública no Brasil

Enviada em 20/05/2020

A quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, representa um marco no capitalismo mundial. A partir dela, diversos ideais de organização do Estado foram colocados em questão. Entretanto, a política de recuperação estadunidense, o “New Deal”, adotada pelo então presidente Franklin Roosevelt, baseou-se na teoria keynesiana de centralização de todos os serviços, inclusive a criação de empresas, na mão do Estado. Atualmente, os Estados Unidos possuem uma gestão que visa privatizar as empresas, a fim de conseguir focar em outras demandas mais importantes, como a saúde pública, por exemplo. Todavia, no Brasil, o interesse do governo em criar e manter algumas empresas corrobora na má administração das outras esferas, o que implica na precariedade e na ineficácia do sistema de saúde pública do país.

Em primeiro lugar, deve-se analisar o contexto da privatização de empresas no Brasil. Nesse plano, pode-se afirmar que, apesar das vendas de algumas estatais, como a Vale do Rio Doce, o cenário ainda demonstra-se de constantes problemáticas. Isso se deve à relação que se pode estabelecer entre as grandes fraudes de corrupção que têm, muitas vezes, companhias governamentais como pano de fundo para suas ações. A título de exemplo, a Operação Lava Jato, deflagrada no país em 2014 e que tem como objetivo investigar casos de lavagem de dinheiro, tem como um dos alvos a Petrobras, estatal criada por Getúlio Vargas em 1953. Logo, a privatização de empresas do Estado é fundamental para que o governo atente-se principalmente em garantir os direitos básicos da população.

Outrossim, pode-se observar a incompetência e a falta de interesse das figuras políticas para com a saúde. Tal fato pode ser constatado por dados da empresa MV, que mostram que em 2010 o Brasil investiu apenas 10,7% de sua arrecadação em seu Sistema Único de Saúde, o que fica abaixo da média mundial e também dos países emergentes. Tal característica demonstra-se preocupante, uma vez que a saúde é um dos direitos básicos do cidadão garantidos pela Constituição Federal de 1988.

Sendo assim, com o intuito de reverter o cenário exposto e melhorar o sistema público de saúde nacional, é necessário que o Governo Federal promova leilões e vendas das empresas estatais, por meio de acordos com organizações interessadas, a fim de injetar capital e liquidez nos cofres públicos. Juntamente a isso, urge também ao Estado, por meio de quantias arrecadadas com as vendas das estatais, além de recursos advindos de impostos destinados ao Ministério da Saúde, a ampliação de redes do SUS, com a construção de mais hospitais e a obtenção de melhores equipamentos, tendo em vista garantir saúde de qualidade a todos. Por conseguinte, estar-se-á criando uma comunidade que tenha boa oferta de seus direitos e poder-se-á caminhar rumo a uma sociedade de bem-estar social.