Debate sobre a relação das startups e a geração de Millennials
Enviada em 31/10/2020
No filme “Tempos Modernos” de 1936, o personagem de Charles Chaplin tenta sobreviver ao mundo moderno e é levado à loucura pela monotonia frenética do seu trabalho. Partindo desse misto de ficção e realidade, pode-se associar a relação do personagem com o mundo moderno, à interação entre a Geração X e a Millennial, observando as diferenças de motivações de suas origens. A partir desse viés, é válido discutir o surgimento e os desafios das startups, empresas que “abraçaram” essa nova geração imediatista e altamente tecnológica.
De início, é importante entender o contexto socioeconômico e cultural de nascimento da geração Y, em que desde o início manteve um contato mais direto com a tecnologia, por serem os primeiros a ter a Internet como parte do cotidiano. Dessa forma, entende-se as motivações principais dos Millennials: imediatismo e tecnologia. Esse padrão de comportamento já abordado por Douglas Rushkoff, professor de estudos de mídia, no livro “Choque do presente: quando tudo acontece agora”, o qual atribui a cultura do imediatismo às mídias digitais, afirmando que elas teriam abolido a ideia do amanhã. Nota-se, portanto, a mudança na relação com o tempo, exigindo deste soluções rápidas e práticas para acompanhar a engrenagem do mundo moderno.
Convém pontuar, ainda, que essa cultura imediatista perpetuada pela geração Y influencia diretamente nos meios corporativistas, os quais ao conservarem os costumes da geração anterior conflitam com os jovens do milênio. Segundo o pensamento do filósofo Marshall McLuhan, o homem cria a ferramenta e a ferramenta recria o homem, ou seja, a Internet trouxe a necessidade de uma redefinição das organizações de trabalho, surgindo assim as Startups, as quais possuem menos burocracia e mais agilidade, atendendo às demandas da geração Y. Porém, estabelecer essa cultura de inovação esbarra ainda na instabilidade da geração, que segundo a BBC Brasil sustenta apenas 40% de suas ideias em empresas. Isso ocorre devido à dificuldade dos millennials de seguirem regras rígidas e de microgerenciamento, tendo como principal consequência a falência das empresas.
Logo, para resolver esse cenário instável da geração Y e seus anseios, faz-se necessário que as empresas façam algumas concessões para aprender como trabalhar com a geração Millenium. Por exemplo, esses profissionais desejam ter livre acesso à internet, redes sociais e aplicativos. Proibir um millennial de estar em contato com ferramentas, as quais ele utiliza rotineiramente, é uma forma de desmotivá-lo quanto aos objetivos da empresa. Além disso, é essencial que os jovens do milênio compreendam a geração antecedente para que possam trabalhar em equipe, isso por meio de reuniões mais dinâmicas com grupos de diferentes idades, demonstrando a realidade de todos.