Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 26/06/2021

Em 1975, era fundada a pioneira em educação remota no Brasil: a TVE. Seguindo o caminho aberto pelo jornalista Roquette-Pinto, a emissora deu início à história da EAD no país e levou conhecimento aos quatros cantos do país. Entretanto, a implementação do ensino a distância, iniciada por Roquette-Pinto, apresenta alguns desafios, principalmente no ensino superior, como a dificuldade da cultura de autoaprendizagem e a exclusão digital. Com efeito, convém analisar os entraves dessa problemática.

Diante desse cenário, o sistema educacional vigente ainda possui um ensino desatualizado, o que prejudica uma educação a distância de qualidade. Nesse contexto, o sistema educativo do Brasil é inspirado no modelo iluminista e impõe a submissão intelectual do estudante à figura do professor, o que seria o detentor do conhecimento. Sob essa ótica, o aluno, desde o Iluminismo, acostumou-se a ser passivo no processo de aquisição do conhecimento, realidade que inviabiliza um ensino superior a distância de qualidade. Logo, é indispensável a mudança desse quadro.

Outrossim, outro grave obstáculo que impede a implementação do EAD é a exclusão digital de grande parte da sociedade brasileira. Sob esse viés, o géografo brasileiro Milton Santos, em seu conceito “globalização perversa”, afirma que as beneces do mundo contemporâneo ficam restritas àqueles de maior poder aquisitivo, fazendo com que muitos cidadãos não possuam seus direitos básicos. Desse modo, boa parte da população é impedida de usufruir dos recursos tecnológicos, impedindo o ingresso remoto no ensino superior. Segundo o IBGE, 45,9 milhões de brasileiros ainda não tem acesso à internet no país. Dessa forma, a  desigualdade social precisa ser sanada.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de conter o avanço dessa problemática no âmbito nacional. Assim, cabe ao Ministério da Educação, modificar o mentalidade dos estudantes, por meio de projetos de iniciação científica que estimulem os alunos a desenvolverem a autoaprendizagem, a fim de desconstruir a passividade histórica do ensino. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia, deve ampliar subsídios para a compra de equipamentos e para planos de banda larga residenciais para indivíduos de baia renda, com o fito de atenuar a disparidade social da nação verde-amarela. Dessa maneira, o papel social da TVE será realidade em todas as regiões do país.