Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 04/01/2021

Isaac Asimov, escritor e bioquímico do século XX, afirmou certa vez que a ciência ganha mais rapidamente em conhecimento do que a sociedade em sabedoria. Num país como o Brasil, que valoriza mais um diploma do que o aprendizado, essa frase é compreendida, mesmo que quase um século depois de dita. Assim, deve-se entender que a qualidade do ensino a distância (EaD) se deve também a criação cultural que se tem e a universalização do acesso à internet e à tecnologia.

Dessa forma, é comum no Brasil se ver a valorização de notas e certificados sem considerar se houve aprendizado real. Uma prática comum que comprova esta cultura é a falsificação de diplomas; só em 2019 o Ministério da Educação cancelou mais de 65 mil diplomas por fraude. A imagem de um ensino frágil, de pouca qualidade e geralmente mais barato atrai cada vez mais o perfil de estudante que precisa de um diploma “fácil”.

Além disso, durante a pandemia da Covid-19, quando o EaD se tornou a única opção, evidenciou-se a falta de acesso à internet, e a de preparo adequado ao uso da tecnologia necessária. O jornal Brasil de Fato afirmou que, em 2020, 46 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à web. Assim, vê-se a impossibilidade de exigir qualidade na modalidade EaD, pois enquanto houver mais de 20% da população sem qualquer acesso às plataformas digitais e tantas outras sem acesso amplo e de qualidade, não há como elevar o nível do ensino virtual.

Logo, a única forma de melhorar a qualidade do EaD é, primeiramente, dando acesso e ensino à população. O governo federal deve investir, por meio de subsídios aos municípios, na universalização da internet. Com a familiarização com o meio digital, professores e alunos terão mais facilidade e interesse no EaD. Por outro lado, é preciso que, a longo prazo, valorize-se o aprendizado acima de tudo. É necessário que os profissionais da educação passem para os alunos, desde o jardim de infância, que não importa a nota e sim qualidade do aprendizado, a fim de que se criem adultos interessados no estudo e profissionais de qualidade.