Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 02/01/2021

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo sexto, garante o acesso integral aos direitos sociais, entre eles o direito à educação. No entanto, com o advento da educação à distância (EaD) no Brasil, a previsão constitucional não tem sido efetivada na prática, haja vista os desafios para garantir a qualidade do ensino superior EaD no país. Diante desse cenário, observa-se a necessidade de debate acerca desse problema, haja vista que sua persistência está atrealada à falta de adaptabilidade nesse modal de ensino somado às dificuldades de acessibilidade digital no panorama nacional.

Nesse sentido, é preciso ressaltar, primeramente, que a cultura de aprendizado difundida no país difere do modelo proposto pelo EaD. Sob essa perspectiva, o documentário “A Educação Proibida” demonstra que a educação brasileira, assim como nos demais países, tem influencia direta dos conceitos iluministas, em que o professor detém todo o conhecimento e os alunos necessitam dele integralmente para a promoção do aprendizado. No entanto, a dinâmica da educação à distância prevê a independência do aluno, sobretudo no que tange às responsabilidades em assistir as aulas e realizar o estudo e as tarefas remotamente. Nesse contexto, a qualidade do ensino superior é prejudicada,devido, sobretudo, à falta de adaptabilidade dos alunos nesse contexto.

Ademais, outra fator que corrobora a problemática é a dificuldade de acesso à internet em todo o país. Sob esse viés, o jornal “El País”, em matéria jornalística, apontou que mais da metade dos brasileiros não possui internet de banda larga, ou seja, com quantidade suficiente de dados para utilizar sites e aplicativos de educação. Entretanto, para que o processo educacional remoto seja satisfatório, é imperativo que os alunos tenham pacotes de internet suficientes para reproduzir o conteúdo sem restrições e, dessa forma, adquirir os conhecimentos repassados virtualmente. Assim, como grande parcela da população não detém essa facilidade, a qualidade educacional fica prejudicada.

Fica claro, portanto, que a problemática persiste como resultado do histórico cultural e da dificuldade de acesso à internet. Urge, portanto, que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Tesouro Nacional, priorize recursos financeiros para a promoção de um projeto de conectividade digital. Tal projeto deve contar com a criação de espaços públicos, em todas as cidades do país, com internet ilimitada e gratuita, bem como espaços individuais para estudo, para que os jovens que não possuem banda larga possam assistir suas aulas e realizar suas atividades. Além disso, é dever do MEC, em parceria com as midias, divulgar a disponibilização desses espaços, com o fito de informar a população sobre esse projeto. Feito isso, o direito previsto na Carta Magna será, enfim, cumprido na prática.