Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 07/01/2021
“Jogador número 1”, escrito por Ernest Cline, descreve um futuro distópico altamente conectado por meios tecnológicos, onde uma rede de informações permite que o usuário usufrute, no mundo virtual, aquilo que não é/tem no mundo real. Nesse “universo”, que é acessível à quase totalidade da raça humana, há centros de educação de todos os níveis, desde o fundamental ao superior, nos quais grande parte dos estudantes está matriculado. A tendência citada anteriormente (ensino à distância - EAD - ao invés do presencial) tem evocado debates acerca de sua qualidade no Brasil.
O EAD traz consigo um fator preocupante, que é a parca interação entre o educador e o educando. Tal relação confere ao ensino um tom pessoal, tragando, ainda mais, o aluno à busca pelo melhoramento individual e diferencial tão necessários no mercado de trabalho. Quando esse fator é escasso, a qualidade do profissional é afetada, pois sem a presença física do professor, o importantíssimo sentimento de policiamento diminui sua influência, levando ao relaxamento por parte do aprendiz. Consequentemente, a qualidade profissional daqueles que ingressam na exigente economia do século XXI, tendo vindo da graduação à distância, está sendo questionada devido acirrada competição entre os alunos desse método e os do presencial, com esses gozando de melhor “imagem”.
Contudo, mesmo com o “empobrecimento” da capacitação sob o manto digital, suas vantagens seguem atraindo quem deseja, no Brasil, ter diploma de ensino superior. De tais bônus, sublinha-se: a incomparável flexibilidade de horários e de custos, uma vez que, sem usufruir das estruturas da universidade, o aluno não precisa mantê-las com seu dinheiro, e o conforto inigualável ao da, por vezes precária, infraestrutura pública de ensino superior no país. Portanto, a escolha que mais cresce em números, no país, é a da digitalização do ensino - segundo notícia de “A Gazeta” -, mesmo que em detrimento da qualidade a posteriori da população economicamente ativa no país, responsável pela mais copiosa parcela do fluxo de conhecimento (pesquisas e artigos científicos).
Entretanto, ainda que inferior em tal quesito imaterial, a escolha pelo aprendizado à distância segue em ascenção. Isso deve ser evitado. Para conter a tendência, e visando, em mínima instância, manter a capacidade profissional daqueles que saem das universidades brasileiras, incentivos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação são imprescindíveis, podendo, em conjunto com o corpo docente e os familiares dos dicentes, instigar os alunos do ensino superior a buscar manter-se próximos fisicamente com as universidades, para então ser evitado o decaimento do padrão dos trabalhadores brasileiros.