Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Ensino a distância: desafios para um futuro promissor

O ensino à distância, apesar de estar sendo amplamente debatido atualmente, não é algo novo. Desde o século XIX, algumas universidades, como a de Chicago, ofereciam cursos por cartas. Não obstante, o avanço tecnológico proporcionou modificações significativas na educação, tornando a internet as novas cartas do século XIX. Uma vez regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC), o ensino a distância (EAD) se popularizou, de modo que há amplas discussões sobre sua qualidade. Decerto, esse é um meio promissor de educação, o que não descarta a necessidade de aprimorar os métodos de ensino e avaliação que, atualmente, se mostram deficitários.

A princípio, o MEC validou instituições de ensino superior para o EAD em 1999. Com modificações ao longo dos anos, o modelo apresenta a vantagem de proporcionar maior abrangência e dinamismo na educação, ao passo que não restringe o conhecimento a um dado território e se adequa com maior facilidade na rotina dos que trabalham. Tal como apresentado pelo Censo EAD (2016), no qual a maior parte dos discentes são mais velhos (de 31 a 40 anos), quando comparados aos cursos presenciais. Todavia, esse é um modelo que ainda precisa ser aprimorado, visto que o desempenho dos mesmos não se assemelha aos do modo tradicional no Enade, com maior índice de reprovação em 2017.

Além disso, a importância do EAD se fez presente durante o período de pandemia do COVID19, em virtude do isolamento social, que impôs que a maioria dos cursos fossem à distância. Essa modificação repentina evidenciou o despreparo das instituições nesse quesito, visto que os moldes tradicionais de sala de aula foram estranhamente encaixados no virtual, com aulas pouco dinâmicas (sendo desinteressante os para alunos e um desafio para os professores) e avaliações semelhantes as presenciais, ao passo que não estimulam o raciocínio e associação de ideias, apenas cobrando conteúdos decorados, que são facilmente acessados pelos alunos durante as provas.

Destarte, ressalta a necessidade de um aperfeiçoamento das graduações de EAD, em decorrência da popularização e tendência a permanecer no decorrer dos anos. Para tal, o MEC deve expandir as diretrizes no ensino a distância, promovendo cursos online de média duração (cerca de 40 horas), por meio de plataforma própria, ministrado por multiprofissionais da educação e ciências humanas, voltado para professores universitários, orientando quanto à técnicas de ensino dinâmico que estimulem a participação e discussão entre os alunos, além de métodos de avaliações que, além de englobar o conteúdo da grade curricular, estimule a combinação de ideias. Para que assim, o modelo EAD se torno uma maneira eficaz e mais atrativa para a formação de novos profissionais.