Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 22/12/2020

O acesso à formação superior no Brasil é um desafio persistente e este se mostra essencial para o ingresso no mercado de trabalho. Neste cenário antagônico, o ensino a distância vem para amenizar a dificuldade de obter um diploma de curso superior. A faculdade digital conta com formas acessíveis de ingresso e mensalidades razoáveis, quebrando os primeiros obstáculos de admissão. Entretanto, entre os cursos de licenciatura, as avaliações do Ministério da Educação mostram um desempenho inferior daqueles formados pelo ensino a distância em relação aos da modalidade presencial, colocando em cheque a competência do que parece ser uma boa alternativa para a democratização do ensino superior.

A vantagem de estudar em casa é atrativa ao comparar com a rotina de deslocamento para um campus tradicional. Mas, também, é preciso ter um espaço organizado e específico de estudo para atingir a concentração e rendimento nas aulas. Computador e internet de boa qualidade são indispensáveis para estudar em casa, porém, no Brasil, a despesa com estes dois fatores é alta e inacessível em pontos afastados das capitais.

Além de problemas estruturais, há insegurança quanto à qualidade do ensino superior a distância. Para a oferta de cursos é necessária a certificação pelo Ministério da Educação, porém, no exemplo de formação de professores, a avaliação do Enade não é satisfatória: apenas 25% dos formados têm nota acima de 50 (numa escala de 0 a 100), contra 35% dos formados presencialmente.

Portanto, é necessário que se reveja a fiscalização da eficiência do ensino superior a distância. O Ministério da Educação pode, primeiramente, criar centros de estudos em bibliotecas municipais para que alunos matriculados no EAD que não têm computador ou internet, possam seguir seus estudos sem preocupações. Ainda, o MEC pode formar um conselho específico de validação dessa modalidade de ensino, para que as instituições sejam equivalentes às presenciais, sem perda de conteúdo. Assim, a formação superior se mostraria possível ao invés de um desafio.