Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 01/01/2021

A Educação bancária, para o educador Paulo Freire, é aquela que consiste em “depositar conteúdos” na mente dos estudantes, sem desenvolver neles uma percepção mais crítica e social da realidade. Nesse contexto, sendo o Brasil conhecido por sua educação bancária, põe em discussão a qualidade do ensino superior a distância no Brasil. Assim, torna-se evidente como causas a falta de investimentos educacionais e a escassez de recursos por parte da população para a conquista de uma graduação.

Mormente, evidencia-se que a precariedade de recursos financeiros para a áreas educacionais é uma grande responsável pela complexidade do problema. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explica o filósofo Marx em sua doutrina. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas no contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento na questão da melhoria de qualidade da graduação a distância, que tem sido negligenciada, o que torna a sua solução mais difícil de ser alcançada. Sob essa ótica, são necessários investimentos na qualificação dos professores, em recursos tecnológicos e em materiais diversos como livros e participações em eventos que auxiliem a melhor formação de um estudante longe da sala de aula física.

Outrossim, é relevante pontuar nessa temática, a desigualdade social que o engloba. De acordo com Ariano Suassuna, poeta brasileiro, “O que é muito difícil é você vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Desse modo, é perceptível que as barreiras enfrentadas por grande parte da população para cursar o ensino superior estão fortemente relacionadas ao poder aquisitivo e desigualdades, exemplificadas na distância até um polo de ensino, na falta de tempo destinada somente para estudos e a falta de dinheiro para compra de livros e materiais de aulas práticas, quando fala-se de uma vaga em universidade pública, em caso de universidades particulares a entrada e permanência de estudantes de renda média é ainda mais difícil, diante desses motivos o ensino EAD torna-se mais acessível devido ao seu custo.

Infere-se, portanto, que medidas estratégicas são necessárias. Cabe o Governo Federal junto ao MEC, destinar com agilidade maiores investimentos ao ensino superior brasileiro com o uso de verbas do Tesouro Nacional, aplicando os recursos na melhoria da qualidade do ensino EAD com a qualificação de profissionais de ensino e provas de pró-eficiência dos novos profissionais antes de entrarem no mercado de trabalho, por meio de sistemas anuais contendo eventos e produções científicas, para assim que possam atender com mais eficiência as exigências qualificatórias. E, enfim, repensar a educação bancária que ainda nos assola.