Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 21/12/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontram empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que o debate sobre a qualidade do ensino a distância no Brasil é necessário, pois o EAD (ensino a distância) configura-se como um obstáculo para a educação superior no país, visto que o sistema de educação brasileiro não está preparado ainda para fornecer um ensino superior de qualidade e totalmente a distância. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com aspectos referentes à educação, como é o caso do debate acerca do EAD. A título de exemplificação, nota-se que o não incentivo a flexibilização da educação presencial pelo governo fez com que criassem o ensino a distância, que além de precisar de pouco investimento pelas faculdades que oferecem também é mais fácil para implementação. Tal descaso reflete na vida profissional do aluno, já que, segundo o G1.com, a baixa qualidade e a falta de atenção ao estudante que o ensino remoto proporciona acarreta no profissional do futuro que o Brasil terá no mercado.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Cosoante à ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como o imbróglio do ensino superior a distância no país. Dessa forma, é evidente que a problemática do ensino remoto, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido na sociedade. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como a falta de contato humano e o insuficiente preparo do futuro profissional, tornam-se esquecidos das prioridades a serem solucionadas no país.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento da educação no país. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - responsável pelas políticas de ensino no Brasil -, por meio de verbas já destinadas ao assunto, disponibilizar gestores, para rever a qualidade do ensino de faculdades e universidades que oferecem a modalidade EAD entre seus cursos e então desenvolver planos para melhora dos ensinos que se mostrarem precários. Outrossim, a mídia, mediante reportagens e notícias, deve exibir os prós e contras da ensino remoto em rádios, televisão, internet e redes sociais. Logo, a população ficará informada e poderá escolher o EAD de forma consciente.