Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 16/11/2020
A revolução causada pelo surgimento da internet reconfigurou em escala global diversas instituições sociais, dentre estas a educação se destaca pela crescente demanda do ensino a distância. A flexibilidade de horários e o alcance à regiões remotas são benefícios inerentes desta modalidade, entretanto, ainda existem diversos obstáculos que interferem na qualidade dos cursos EAD, como a ausência de suporte pedagógico, problemas técnicos no acesso das plataformas online, e, em casos mais graves o não cumprimento das diretrizes curriculares estabelecidas pelo Ministério da Educação. Tal situação torna-se ainda mais preocupante ao se considerar a formação de profissionais da educação, visto que uma baixa qualificação dos mesmos pode afetar toda uma geração de estudantes.
Dentro da conjuntura apresentada, a organização todos pela educação elaborou um estudo avaliativo sobre o resultado das provas do Enade, avaliação dos cursos de graduação elaborada pelo MEC, em que foi constatado que 75% dos alunos de EAD possuíam um aproveitamento de no máximo 50 pontos em uma nota que vai de 0 a 100. Também foi levantado pela pesquisa o fato de 60% dos graduandos de cursos de licenciatura utilizarem o modelo de curso à distância, logo 45% dessa parcela não apresentará uma boa qualificação, de acordo com os dados apresentados acima, o que reitera a preocupação apresentada ao final do primeiro parágrafo.
Evidentemente, não há como negar os impactos negativos que uma educação de baixa qualidade causa em uma sociedade, visto que o processo de aquisição de conhecimento visa à emancipação intelectual de um indivíduo, o tornando um agente ativo da sociedade. O sucateamento do ensino ‘online’ é uma subversão do seu propósito de democratizar a educação pela superação das barreiras físicas, o que acaba intensificando as assimetrias sociais existentes no Brasil. Dessa forma, a resolução desse problema é uma urgência de caráter público, pois interfere diretamente o bom funcionamento dos profissionais que irão compor a malha social do futuro.
Logo, cabe ao MEC a elaboração de um programa de fiscalização ampliada para as universidades que oferecem ensino à distância, o objetivo deve ser entender os problemas que assolam os estudantes e avaliar o núcleo pedagógico que o acompanha. O foco deve ser ainda maior nas universidades que possuem baixo desempenho pelo Enade, e, em caso de irregularidades os agentes representativos das Secretarias Regionais de Educação devem estabelecer parcerias que objetivem a correção de tais problemas, com prazo estipulado para tal. No caso em que cursos não apresentarem um currículo aprovado pelo MEC, a certificação deve ser destituída e a universidade multada e impedida de continuar tais atividades, até que sua situação esteja regulamentada.