Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 15/11/2020
A qualidade do ensino superior a distância se tornou objeto de discussão nacional em virtude da pesquisa do Todos pela Educação de que o desempenho de quem concluiu os estudos no modelo não-presencial é pior do que os formados em cursos presenciais. A partir desse momento, a dificuldade em aperfeiçoar a Educação a Distância (EAD) é cada vez mais debatida e pode ser ocasionada por uma série de situações, que vão desde os obstáculos na aprendizagem solitária até a ineficiência das faculdades em fiscalizar possíveis fraudes nos testes online.
A princípio, é indubitável que a questão educacional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio do conhecimento, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a ausência de disciplinas no ensino médio público que desenvolvem a capacidade de estudar por conta própria rompe essa harmonia; haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem receber o mesmo tratamento, muitos cidadãos se utilizam da escolaridade particular para entender a importância em aprimorar o autodidatismo.
Outrossim, segundo o jornal Gazeta, aproximadamente 75% dos indivíduos que concluíram a modalidade EAD estão abaixo da média no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), destacando-se a permissibilidade das faculdades em aprovar estudantes sem verificar se compreenderam adequadamente as disciplinas como empecilho para a formação de bons profissionais. Esse fator, em grande parte dos casos, é responsável por ser o precursor das fraudes nos testes online e pela baixa produtividade nos estudos pelo corpo discente, uma vez que se não há meios para impedir a “cola” nas provas, os alunos não irão estudar e, consequentemente, não estarão acima da média determinada pelo Enade.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação (MEC) tem o dever de priorizar o aperfeiçoamento na estrutura da grade curricular do ensino médio, inserindo atividades em todas as disciplinas para serem feitas sem o auxílio de colegas e professores com a finalidade de desenvolver o autodidatismo. Além disso, de modo a impedir a fraudação nos testes online, o corpo discente deve realizar apenas provas orais e escritas utilizando a webcam com o objetivo de evitar a trapaça e induzir a rotina de estudos. Para mais, o MEC deve fiscalizar se há irregularidades nas faculdades que formam muitos alunos com baixo desempenho no Enade com o propósito de determinar se essas instituições estão cumprindo os requisitos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Desse modo, o debate acerca da dificuldade em aperfeiçoar a EAD será progressivo e levará à resolução desses problemas.