Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 14/11/2020

Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à educação. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há déficit na qualidade do ensino superior a distância no Brasil. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.

Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em garantir que funcionários relacionados com ensino a distância(EAD) possuam especialização nessa área. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, com o intuito de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não cria regulamentos que exijam que professores de faculdades “online” estejam qualificados a promover aulas e atendimentos virtuais. Logo, a escassez dessa ação contribui para a diminuição da qualidade da educação superior, já que os alunos que fazem sua graduação pela internet podem sofrer com um curso deficitário em transmitir conhecimento e sem apoio remoto.

Ademais, os problemas de qualidade do ensino superior a distância podem ter relação com universitários pouco autossuficientes em acompanhar os estudos, ao passo que algumas instituições educacionais demonstram-se ineficientes em estimular autodisciplina na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de promover uma escolaridade voltada para o desenvolvimento cognitivo. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de dedicar-se ao EAD, de forma a organizar horários destinados ao estudo e ao acompanhamento das atividades da faculdade. Portanto, em função da baixa escolarização e do despreparo ao modelo de estudo não-presencial, parte da população possui uma formação pouco capacitada e inexperiente.

Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver providência capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio da alteração das diretrizes do ensino superior, demandar que professores da modalidade EAD possuam curso de qualificação profissional nessa área, como na promoção de aulas virtuais ou no auxílio remoto a estudantes. Desse modo, haverá uma melhora na qualidade de universidades “online”, visto que esse modelo de estudo irá possuir uma maior capacidade de auxílio e transmissão de conhecimento para os universitários.