Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 13/11/2020
Segundo o sociólogo Pierre Lévy vivemos em uma sociedade baseada na “Cibercultura” onde diversas áreas do conhecimento podem ser interligadas criando novas formas de interação e socialização. Em consonância ao pensamento do sociólogo, a modalidade de ensino EAD que surgiu em 1975 com a TVE, apresenta uma expressiva adesão pela sociedade atualmente, entretanto, discute-se a efetiva qualidade do ensino disponibilizado e as dificuldades de universalização do conhecimento via internet.
Em princípio, cabe analisar a qualidade do ensino ofertado pelas instituições que disponibilizam a modalidade EAD. De modo que, conforme estudo realizado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE),75% dos alunos que concluíram cursos a distancia, no ano de 2017, apresentaram notas abaixo da média. Portanto, cabe ao MEC juntamente com as instituições de educação realizar um estudo sobre os fatores que ocasionam tais notas e agirem em conjunto para o avanço da qualidade de ensino à distância.
Por conseguinte, a realidade social brasileira pouco contribui para a universalização da educação via internet, posto que, segundo pesquisa realizada pela TIC domicílios, apenas 30% das residências das classes (D e E) possuem acesso à internet e, atrelado a esse fator está também à falta de cobertura de banda larga em municípios do interior, o que reforça a disparidade do acesso ao ensino e enfraquece os preceitos democráticos no país. Ademais, Florestan Fernandes classifica como uma democracia efetiva àquela que é capaz de levar a todos o direito à alimentação, à moradia e à educação, sendo assim, é dever do Estado garantir meios de acesso à internet para essas populações. Assim, o estudo a distancia não se trata apenas de uma maneira de transmissão de conhecimento isolada e unilateral, necessitando de maior fiscalização do Estado em relação ao cumprimento das normas, as quais, devem ser seguidas para disponibilização de um curso de qualidade. Cabe também ao Poder Público, o investimento na ampliação da cobertura de internet por meio de suas empresas estatais como a Telebras, realizando a instalação de antenas em áreas rurais e, em conjunto com as prefeituras, garantir a manutenção do local e dos aparelhos necessários para o seu devido funcionamento. Além disso, reduzir os custos referentes à obtenção de pacotes de serviços de internet, o que pode ser realizado mediante a diminuição de impostos e serviços (ISS).