Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil

Enviada em 13/11/2020

De acordo com um estudo do Ministério da Educação (MEC), 60% dos ingressantes em cursos de graduação voltados à formação de professores em 2017 eram oriundos do ensino a distância. Todavia, o foco principal dessa modalidade de ensino não é a aquisição de conhecimentos disciplinares e didáticos, mas sim a obtenção de meros certificados. Logo, a queda da qualidade de ensino de professores e dos respectivos alunos é inevitável.

Primeiramente, é válido ressaltar que a ilusão social de que a obtenção de diplomas de graduação garantem a oferta de empregos bem remunerados ocasionou o aumento desordenado de ingressantes no ensino superior a distância no Brasil. Evidentemente, quem possui alguma graduação se destaca no mercado de trabalho brasileiro, visto que, segundo levantamentos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), somente 21% dos brasileiros têm ensino superior completo. Porém, nem sempre tal ensino é sinônimo de educação qualitativa, principalmente nas áreas de licenciatura e pedagogia na modalidade EAD. Dados do MEC apontam que 75% desses formados não alcançaram a nota mínima no Exame Nacional de Desempenhos de Estudantes (Enade). Dessa maneira, a qualidade profissional dos professores brasileiros decai drasticamente.

Consequentemente, a aprendizagem dos estudantes das escolas brasileiras também é afetada, o que gera sérios prejuízos na formação educacional valorativa desse segmento social. Conforme o dramaturgo Karl Kraus, “os alunos comem o que os professores digerem”. Nessa lógica, em decorrência do péssimo ensino superior não presencial, em que muitos professores brasileiros foram sujeitos, o fato é que os alunos, igualmente, não aprenderão ensinamentos significativos com eles. Infelizmente, esse fenômeno escolar é maléfico no desenvolvimento social e econômico do país, tendo em vista que a ausência de professores qualificados gera estudantes sem conhecimentos de cidadania, de cultura e de técnicas profissionais. Dessa forma, não haverá, futuramente, cidadãos brasileiros íntegros e competentes na sociedade e no trabalho.

Diante do exposto, para evitar que esse cenário pessimista suceda na nação, cabe ao Ministério da Educação, por meio de decretos governamentais bem fundamentados, implementar na educação brasileira seleções criteriosas as quais possam habilitar na licenciatura e na pedagogia somente os professores que alcançarem a nota mínima no Enade, até porque a maioria dos professores com graduação em ensino superior a distância não obtiveram essa nota de corte. Assim, a qualidade do ensino básico não perderá o devido valor, o que, com efeito, irá promover o desenvolvimento sócio-econômico nacional.