Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 13/11/2020
Na Antiguidade, o grande gênio Aristóteles, precisou viajar longas distâncias desde sua terra natal para acessar o saber que, à época, concentrava-se na Grécia. Na contemporaneidade, tem-se a opção do estudo remoto, mantendo-se à distância de mestres e colegas, na modalidade EaD, que vem aumentando no Brasil. No entanto, o desempenho dos alunos que repetem Aristóteles, deslocando-se aos atuais campi universitários, tem se provado melhor, se comparado aos que fazem sua graduação à distância. Nesse preocupante cenário, faz-se necessário debater as causas e consequências da baixa qualidade do ensino superior EaD, bem como propor soluções para este emergente problema social.
Inicialmente, deve-se ressaltar que o EaD caracteriza-se como uma modalidade de ensino superior de baixo custo, no Brasil. Nesse sentido, as universidades e faculdades privadas, sob a ótica mercadológica, cobram mensalidades mais baratas no EaD em comparação aos cursos presenciais, porém, aumentando muito a proporção de alunos por professor, sem a limitação espacial da sala de aula. Por conta disso, o aluno passa ter restrição de acesso ao docente, tanto pela distância física quanto pelo tempo exíguo para esse atendimento virtual. Além do mais, o EaD reduz drasticamente a experiência prática e o convívio diário do aluno com sua área profissional, o que dificulta o desenvolvimento do conhecimento complexo - intelectual, emocional e do pertencimento social -, explicado pela Teoria da Complexidade, do filósofo francês contemporâneo, Edgard Morín.
Consequentemente, observam-se índices de desempenho muito baixos entre egressos da graduação EaD, quando comparados aos seus pares dos cursos presenciais. Prova disso é que 3 em cada 4 formandos do ensino superior EaD apresentam nota insuficiente - menor do que 50% - no Exame Nacional de Desempenho Estudantil (ENADE), conforme dados do Ministério da Educação (MEC). Nesse âmbito, a baixa qualidade da graduação EaD tem drásticos reflexos sociais, seja por dificultar a inserção do formado ao mercado de trabalho, seja pela menor contribuição social que o mesmo será capaz de promover atuando em sua profissão ao longo dos anos. Como agravante, o Censo da Educação Superior revela crescimento de 25% ao ano nas graduações EaD, no país.
Diante do exposto, para garantir a melhoria da qualidade do ensino superior à distância no Brasil, urge que o Ministério da Educação intervenha em dois aspectos fundamentais: o primeiro, exigindo a proporção máxima de 50 alunos por professor para a graduação EaD; o segundo, instituindo exames nacionais anuais - similares ao ENADE - para os cursos EaD. Assim, será possível identificar forma ágil problemas de baixa qualidade de ensino e fomentar as necessárias correções para garantir a formação de egressos que, tal qual Aristóteles e Morín, sejam plenamente capazes de promover o bem social.