Debate sobre a qualidade do ensino superior a distância no Brasil
Enviada em 13/11/2020
Em uma de suas muitas palestras, Steve Jobs defendeu que a missão da sua companhia era criar, nas pessoas, necessidades que até então elas não tinham. No contexto atual, o ensino superior à distância (EAD) surgiu de aliar as tecnologias à necessidade de muitas pessoas de conciliar os estudos a uma rotina atribulada, fornecendo mensalidades mais baratas. Apesar de promissor, é necessário que as autoridades competentes fiscalizem esse novo modelo, a fim de garantir a qualidade desses profissionais, bem como forneçam os meios necessários para que o EAD se torne mais inclusivo, posto que prescinde de ferramentas que nem todos dispõem, como computador e internet.
A priori, impende mencionar que o EAD está em franco crescimento. Um estudo da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância) registra aumento de 17% em números de alunos matriculados de 2017 para 2018. Segundo o Ministério da Educação (MEC), no ano passado surgiram mais cursos em EAD do que no modelo presencial. Todavia, a qualidade dos estudantes não tem acompanhado a contento. Segundo o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, 75% ficou abaixo da nota 5. Tal fato se deve sobretudo à perda do contato direto com o professor, principalmente para tirar dúvidas. A disciplina dos alunos para acompanhar os conteúdos seria outro obstáculo.
Outro ponto importante a analisar é que, embora o EAD tenha a premissa de ampliar o acesso ao estudo, dispor de um bom serviço de internet ainda é um privilégio no Brasil. Como atestou recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à Internet. Dessa forma, o alcance da educação superior à distância, defendido como um dos maiores benefícios do sistema, ainda se mostra incoerente para com a realidade. Ainda, em boa parte das localidades que têm internet, o serviço é irregular, e “quedas” constantes impossibilitam até mesmo o estabelecimento de uma boa rotina de estudos, o que reflete diretamente na produtividade do aluno.
Portanto, o ensino superior à distância deve ser considerado um avanço importante a ser estimulado. Para tanto, precisa evoluir. Nesse sentido, o MEC poderia fazer convênios com a iniciativa privada, para melhorar o fornecimento de internet e equipamentos de informática, alcançando mais alunos. É necessário também uma fiscalização mais ativa nesses cursos, com o intuito de melhorar o contato entre aluno e professor. Isso pode ser feito em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia, mediante o desenvolvimento de plataformas mais eficientes e integradas, para que os alunos possam ter mais contato com o professor através de aplicativos para smartphones, por exemplo. Ato contínuo, o MEC precisa aumentar a oferta de cursos públicos EAD, possibilitando que ainda mais alunos tenham acesso à educação, direito constitucional de todo os cidadãos.