Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 12/05/2021

Com a pandemia causada pelo vírus da covid-19, medidas de isolamento social foram impostas pelo governo, visando à diminuição da expansão da doença. Nesse contexto, a telemedicina se mostrou uma importante ferramenta para a saúde da população, visto que possibilitou a realização de consultas e tratamentos à distância, respeitando as medidas restritivas. Porém, embora esta apresente muitos benefícios, sua implementação efetiva ainda enfrenta obstáculos, como a falta de infraestrutura em regiões pobres, sem acesso à internet, e a disseminação de ideias errôneas sobre tal prática.

Primeiramente, graças à falta de acesso ao ambiente online pelas regiões mais carentes e à divulgação de ideais equivocados, a telemedicina não é efetivamente implementada no território brasileiro. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 25% dos brasileiros não possuem acesso à internet, totalizando cerca de 47 milhões de pessoas sem meios de acesso ao mundo online. Essa fração da população brasileira não possui instrumentos que permitam sua participação no ambiente da internet, devido a suas condições carentes e localidades, muitas vezes, remotas. Dessa forma, a telemedicina, que utiliza aparatos tecnológicos, não chega a tal parcela da população, o que impossibilita a efetiva implantação da prática no país.

Em segundo lugar, a disseminação de ideias infundadas pela população, que não são desmistificadas pelos meios midiáticos, contribui para a manutenção das dificuldades enfrentadas pela telemedicina. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a mídia, que foi criada como um instrumento democrático com a função de levar informações verídicas ao povo, deve sempre realizar seu papel, para não se tornar um mecanismo de opressão. Nesta conjuntura, a mídia, ao não desmistificar pensamentos errôneos e populares sobre tal prática médica, como o de que esta é uma “inimiga da medicina convencional e busca substituí-la”,  se torna hm  instrumento de opressão, visto que não cumpre seus ideais democráticos de informar a população. Desse modo, aquela contribui para a conservação dos obstáculos para a implementação efetiva da telemedicina.

Portanto, a telemedicina é uma prática extremamente benéfica à saúde popular, que deve ser valorizada e promovida. Visando à sua maior implementação, o Ministério da Saúde, em parceria com as principais redes hospitalares e da área da saúde (como a Rede Dor), deve promover e disponibilizar  campanhas e palestras informativas sobre o exercício da telemedicina. Estas devem ser veiculadas nas principais avenidas e nos meios midiáticos em horários nobres, para que a população seja atingida e, dessa forma, a telemedicina passe a ser vista positivamente e sua implementação ocorra da melhor forma.