Debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil

Enviada em 08/04/2021

A partir da Revolução Tecnológica, iniciada em meados do século XX, houve um impacto direto das tecnologias no cotidiano de parte da população mundial. Nesse contexto, uma das esferas atingidas pelos avanços tecno-científicos foi a da saúde, na qual apresentou o surgimento da telemedicina- modalidade que promove consultadas médicas a distância-, que ainda não há unanimidade de opiniões sobre a sua implementação no Brasil. Esse cenário se deve ao fato de que a telemedicina pode proporcionar acesso à saúde mais rápido e barato e, ao mesmo tempo, não são todas as pessoas que possuem disponibilidade à internet. Assim, deve-se discutir os aspectos políticos e sociais relacionados ao tema, em prol do bem coletivo.

Nesse viés, é válido destacar o artigo 196, da Constituição Federal, que garante o direito à saúde a todos como uma responsabilidade do Estado. Dessa maneira, a implementação da telemedicina no Brasil significaria a garantia do que é dito pelo documento constitucional, visto que possibilitaria o acesso à saúde de forma mais eficaz com a redução de filas e diminuição do preço das consultas. Um exemplo dessa afirmação é a lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, em 2020, que permitia o uso da telemedicina durante a pandemia do vírus Covid-19, o que contribuiu para evitar mais aglomerações nos hospitais, já que as pessoas puderam se consultar sem sair de casa. Logo, é nítido os benefícios que a junção da tecnologia com a saúde pode causar.

Nesse sentido, deve-se citar o geógrafo brasileiro Milton Santos, ao dizer que “a globalização atinge a todos, mas não a todos os lugares”. A afirmativa do geógrafo relaciona-se ao contexto do Brasil, já que a telemedicina é vista com certa distância diante da realidade do país, devido a desigualdade quanto a integração de acesso à internet, sendo que parte da população não possui disponibilidade à tecnologia, principalmente em zonas mais afastadas dos centros urbanos. Dessa forma, a implementação da telemedicina sem estar acompanhada de um planejamento de democratização digital significa estabeler acesso a saúde apenas a uma parcela da população, e não em sua totalidade.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que o debate sobre a implementação da telemedicina no Brasil continue em pauta. Desse modo, o Conselho Federal de Medicina deve abordar a necessidade da telemedicina, com investimentos nesse setor, por meio de treinamentos para medicos designados, como aprender a usar corretamente as ferramentas digitais, a fim de que o projeto seja levado em consideração. Além disso, o Governo Federal deve promover a integração tecnológica das regiões do país, por intermédio de investimentos públicos, para que o acesso a telemedicina seja possível. Assim, o corpo social se tornará próximo do bem coletivo.