Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

No desenho japonês “Masamune-kun no Revenge” (“A vingança de Masamune”), o protagonista tem a infância como a pior fase da sua vida, já que sofreu bullying de seus colegas e do seu interesse romântico por estar “gordinho”, recebendo o apelido de “porquinho” e levando esse trauma para o resto de sua vida. Fora da ficção, refletir sobre a questão da gordofobia no Brasil é imprescindível, uma vez que a forte influência da mídia e os arquétipos enraizados fazem os que não se encaixam serem subjugados aos padrões da sociedade.

Em primeiro plano, a ideia de que ser gordo é sinônimo de desleixo e de fracasso foi extremamente popularizada, transformando esse tipo de corpo em motivo de chacota. A exemplo disso, Léo Lins, comediante brasileiro do programa “The Noite”, fez uma postagem com piadas gordofóbicas para promover o seu stand-up: “Perturbador, o show”. Dessa forma, Joseph Goebbles, ministro da propaganda nazista, afirma que algo só se torna verdade se for veiculado constantemente, por isso, é possível identificar que a mídia tem papel fundamental na disseminação desses esteriótipos que naturalizam comportamentos preconceituosos e promovem comentários de ódio ao corpo gordo. Portanto, essas pressões estéticas em relação ao corpo, são extremamente perigosas, pois são responsáveis pela destruição da autoestima e podem gerar problemas de saúde pública, como depressão, ansiedade, obesidade e até mesmo suicídio.

Ademais, é notório que o culto ao que é considerado “perfeito” não é novidade, já que na Grécia Antiga as pessoas louvavam deuses com corpos esculturais e invejáveis, propagando a cultura do “belo”. Fora desse contexto histórico, dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 54,1% da população brasileira está acima do peso, além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, 92% dos brasileiros já sofreram ou sofrem gordofobia. Desse modo, o apresentador da TV brasileira, André Marques, conversou em suas redes sobre quando estava acima do peso e o quanto aquele momento foi dificíl, uma vez que foi alvo de piadas e críticas sobre os cuidados com o seu físico, comprovando mais uma vítima desse preconceito.

Desta feita, a real necessidade de ações governamentais movidas pelo Estado, juntamente com o Ministério da Saúde, faz-se necessária no direcionamento de verbas  para capacitar profissionais da área psicológica, fornecendo atendimento de qualidade para as vítimas de gordofobia. Além disso,o Ministério da Educação levar o debate sobre o respeito as diferenças para as escolas por meio de palestras e aulas, com o intuito de educar desde a base da formação social e acadêmica. Assim, para que pessoas como Masamune possam aceitar o seu corpo e serem respeitadas perante a sociedade.