Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/11/2020
A música “Cálice”, de Chico Buarque, narra a ausência de liberdade de expressão durante a ditadura militar brasileira. Ao se focar no momento atual, essa cultura, legitimada pela Constituição de 1988, é contestada nos diversos âmbitos. Sob esse viés, quando a cultura do cancelamento propaga-se contra minorias, torna-se um processo retrógrado, diante da Constituição. Ora, uma atmosfera de desleixo e, por tabela, omissão que apadrinha o futuro.
Essa mazela deriva, em especial, da ação apática da coletividade nessa área. De acordo com o G1, o cantor Gustavo de MPB, foi acusado de cometer um estupro, em uma publicação do facebook. De forma adversa, tal ocorrido era apenas uma fake news, com isso o artista padeceu com a cultura do cancelamento, perdeu seguidores e, sobretudo, patrocinadores, isto é, a publicação de alguma opinião errada pode acabar excluindo esses indivíduos que penam com o cancelamento. Logo, mostra-se uma sociedade ineficiente nessas conjunturas.
Por sua vez, outro vetor é o papel passivo das escolas nessa temática. Na ótica da filósofa Hanna Arendt, que desenvolveu o conceito conhecido como banalidade do mal, o qual afirma que as atitudes cruéis são parte do cotidiano moderno e tornam as relações sociais cada vez mais caóticas. Nessa perspectiva, é substancial um olhar mais atento dos colégios nessa esfera, uma vez que alguns alunos brasileiros manifestam, nas redes sociais, a cultura de hostilidade definida por Arendt, na qual motiva os casos de ataques a esses indivíduos como ocorreu com a cantora Anitta. Dessa forma, enquanto, a banalidade for a regra, a paz será exceção.
Infere-se, portanto, que nessa problemática o olhar coletivo deve abdicar das atitudes de julgamento que causam transtornos, por meio de uma maior ação de empatia e, por extensão, respeito ao próximo, a fim de barrar o percusso de todo o caos. Ademais, o âmbito educacional precisa promover um ensinamento e conscientização dos alunos ao modo de usar as mídias,por intermédio de palestras e, sobretudo, debates entre professores e alunos sobre tal temática, com o fito de fomentar a consciência coletiva. Assim, para que a música “Cálice” não seja uma realidade brasileira.