Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/11/2020

No livro , “1984”, de George Orwell, há um momento chamado “minuto do ódio”, em que a população , por meio de gritos e xingamentos, externaliza suas convicções contra o inimigo criado pelo grande irmão. Essa ficção dialoga com a atualidade, uma vez que, existe uma cultura do cancelamento nas redes sociais, fato que concentra o ódio em determinada pessoa ou empresa. Tal cenário é preocupante, visto que promove a injustiça e danos, além de estimular a censura ideológica, sendo fundamental discutir esse problema.

A princípio, é visto que o ato de cancelar se enquadra como uma justiça social que pode trazer consequências graves. Isso pode ser notado ao tomar como exemplo o caso do ginasta Diego Hypólito, que, por ter postado uma foto com o atual presidente, foi atacado e vítima de ameaças verbais e físicas.

Essa realidade, vai de encontro com a visão do filósofo Kant, que via o Estado como detentor do monopólio da justiça, fato que não ocorre , pois, nas redes sociais, muitos grupos podem julgar e sentenciar a exclusão de outros. Nesse sentido, a sociedade se torna cada vez mais injusta, posto que mais agressões verbais, conflitos e ameaças tendem a ocorrer devido à capacidade de cancelamento.

Outrossim, é importante perceber que a ação de cancelar uma pessoa ou comunidade pela linha de pensamento fomenta a censura de ideias. Esse panorama é combatido pela visão do filósofo Voltaire, que pregava a livre circulação de pensamentos, mesmo que esses não fossem convergentes com a da maioria. Destarte , a cultura do cancelamento é danosa à liberdade de expressão nas redes sociais, uma vez que impede que grupos tenham voz para discutir assuntos vigentes. Essa situação pode ser comprovada ao analisar o caso da cantora Anita, que foi cancelada e atacada após tuitar sobre política, fato que impediu a análise e interpretação do seu ponto de vista.

Portanto, para que o Brasil não seja um reflexo da obra de Orwell é necessário mudanças que levem ao fim da cultura do cancelamento. Para isso, cabe ao Governo Federal defender a livre manifestação de discursos nas redes sociais, por meio da criação de leis que punam grupos e pessoas que pregam a violência no ato de cancelar , por exemplo aqueles que ameaçam e criam provas falsas com o intuito de excluir o alvo das relações virtuais, a fim de garantir um espaço seguro e a favor da manifestação ideológica. Ademais, é dever de sites, como o Facebook , Twitter e Instagram, garantir a integridade dos usuários, por intermédio de softwares que bloqueiem usuários que possuem o intuito de atacar e difamar grupos e pessoas, para que assim haja respeito e diversidade nas relações.