Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/10/2020
A cultura do cancelamento era algo que acometia, exclusivamente, ex-presidiários, no sentido de que eles eram negativamente rotulados pelos seus crimes cometidos, e isso, por sua vez, os atrapalhavam em sua reintegração à sociedade. No entanto, algo que era exclusivo de recém libertos, hoje, impacta muitas outras pessoas, inclusive inocentes. Desse modo, uma análise dialética a respeito dos pontos positivos e negativos da cultura do cancelamento faz-se necessária.
Em primeiro lugar, é fundamental a reiteração de aspectos positivos dessa prática. Nessa lógica, nota-se que, em muitos casos, os ‘’canceladores’’ têm boas intenções e se utilizam de métodos legítimos à prática, que se consiste em adquirir e julgar dados pessoais, como vídeos e textos, com a intenção de se posicionar a favor de alguma vítima social. Para exemplificar isso, tem-se o cancelamento do cantor MC Gui que, após disponibilizar vídeo rindo de uma criança, em parque de diversão, em processo de quimioterapia, foi altamente criticado e boicotado pelas pessoas que julgaram a situação deletéria, ou seja, a maioria. Logo, percebe-se que, quando aplicada de maneira adequada, essa prática pode vir a ser positiva para a sociedade.
Entretanto, é imprescindível, do mesmo modo, a marcação das características negativas da cultura do cancelamento. Nessa perspectiva, constata-se que, quando utilizada de modo indiscriminado, ou seja, sem se preocupar com os aspectos do indivíduo que pratica a suspeita ação negativa, a fim de identificar as suas intenções, e sem a apuração dos fatos contestados, essa prática pode se tornar uma poderosa ferramenta de exclusão e discriminação social. A exemplo disso, conforme reportagem da BBC, verifica-se a história de um homem branco de origem latina, nos Estados Unidos, que, depois de ser filmado estalando os dedos da mão de modo específico, foi acusado de ser um supremacista branco, devido à posição dos dedos, e, consequentemente, perdeu o emprego e toda a sua reputação.
Depreende-se, portanto, que a cultura do cancelamento é um movimento de defesa das minorias legítimo, mas que, contudo, necessita de melhorias com o intuito de deixá-lo plenamente justo. Para tanto, as autoridades das redes sociais, isto é, os líderes dos principais grupos de notícias dispostas em redes sociais, tais como Facebook e Twitter, por onde circulam essas informações, devem implementar em sua rotina de postagens um mecanismo de filtração ou apuração das notícias. Isso tudo por intermédio dos próprios usuários das redes ajudando como voluntários, com a função de confirmar a veracidade dos fatos, com a finalidade de que esses posicionamentos críticos relacionados com a cultura do cancelamento sejam o mais leal à realidade possível, e, por consequência, neutralize os casos de injustiça.