Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/10/2020

Desde a Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Século XVII, muitos movimentos populares como o ludismo tiveram que valer-se de ações físicas para lutar por seus interesses e direitos. Hoje, com o advento das redes sociais e da Internet, os novos movimentos sociais encontram na ação virtual uma forma de protestar, com a chamada cultura do “cancelamento”. Tal prática traz novas possibilidades para reivindicação, mas é preciso atentar para seus malefícios quando usada de forma precipitada.

Primeiramente, é preciso reconhecer a força obtida pelos grupos civis com a chamada cultura do cancelamento. O comunicólogo canadense Marshall McLuhan afirmou certa vez que a televisão transformaria o mundo em uma “aldeia global”, reduzindo as distâncias de comunicação. Com a Internet, esse fenômeno se intensificou, o que permitiu  aos novos movimentos sociais utilizarem a ação coordenada nas redes sociais para manifestar-se contra injustiças de maneira rápida, eficiente e intensa. Nesse sentido, a cultura do cancelamento é útil para cobrar o posicionamento de marcas e personalidades que agem de maneira considerada injusta e, portanto, fazer com que essas revejam seus posicionamentos de acordo com o desejo de seu público. Nota-se, portanto, que tal cenário aumenta a possibilidade de grupos organizados reivindicarem seus interesses.

Por outro lado, é preciso considerar que a rapidez de propagação de informações na Internet pode levar à injustiças. Com a velocidade com as quais notícias falsas são propagadas nas redes sociais, a cultura do cancelamento pode causar situações onde indivíduos são condenados por ações de pouca relevância ou simplesmente falsas. Tal situação pode acabar, também, resultando em extremos, como o caso de uma mulher, habitante da cidade de Guarujá, que foi vítima de um linchamento no ano de 2014 causado por uma notícia falsa divulgada na Internet, que a acusava de praticar bruxaria e realizar sequestros. Dessa forma, é urgente conscientizar a população sobre a necessidade de ponderar bem sobre a veracidade das acusações apresentadas online antes de agir, seja pelos meios digitais ou pela ação física.

Percebe-se, assim, a necessidade de instruir a população para que se manifeste de maneira verdadeiramente justa. Para isso, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação e do Ministério das Comunicações, deve veicular campanhas que alertem a população a respeito do perigo de agir com base em notícias falsas e desestimulem a realização da justiça com as próprias mãos. Tais campanhas podem ser realizadas por meio de palestras com comunicólogos nas escolas ou com campanhas publicitárias, por exemplo, para conscientizar o máximo de pessoas. Dessa forma, a população poderá se manifestar de maneira justa, seja virtualmente ou fisicamente.