Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/10/2020
“A anulação do outro é o ápice do conflito social”. Essa frase do filósofo Mário Sergio Cortella torna-se muito pertinente quando se trata da cultura do cancelamento no Brasil, uma vez que não só a ineficiência política, mas também a falta de debate apresentam-se como agentes perpetuadores desse problema no pais. Por isso, medidas são necessárias para reverter este quadro.
Em primeira análise, é fundamental destacar que, para o filósofo Aristóteles, “a política tem como função promover o convívio harmônico entre as pessoas de uma sociedade”. Além disso, é válido lembrar que a Constituição Federal de 1988 assegura o direito à justiça a todos os brasileiros, cabendo ao Estado a responsabilidade de preserva-lo. Entretanto, em uma situação de cancelamento, o individuo-alvo não tem a oportunidade de se defender ou se explicar, gerando um linchamento virtual. Somado à isso,o que se encontra no Brasil, é uma profunda negligência do Governo em relação a este assunto, uma vez que, segundo a Folha de São Paulo, nenhum tipo de programa de combate à cultura do cancelamento, como campanhas e iniciativas , está em vigor atualmente. Dessa forma, é indispensável que haja meios políticos, para que a justiça prevaleça.
Ademais, é importante lembrar ,ainda, que, para o escritor e colunista Fabricio Carpinejar," é responsabilidade do usuário fazer com que as redes sociais sejam ambientes propícios para o exercício da democracia". Além disso, de acordo com o sociólogo Pierre de Bordieu “o que foi criado como mecanismo de democracia não pode se tornar ferramenta de opressão e injustiça”. Por outro lado, segundo a revista “Superinteressante”, por se tratar de um problema relativamente novo, os debates à cerca da cultura do cancelamento são insuficientes, uma vez que apenas 3 em cada 10 instituições de ensino promoveram algum tipo discussão ou campanha de conscientização em relação à este tema. Dessa maneira, é fundamental colocar esse problema em questão no Brasil.
Sendo assim, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro crie meios políticos para assegurar o direito à justiça, por meio da criação de uma lei que considere o linchamento virtual um crime, bem como por meio da utilização de mecanismos tecnológicos, como softwares e programas específicos, que tenham como objetivo frear a propagação de publicações que visam difamar uma pessoa, para que seja válido o que está na constituição. De maneira análoga, urge que a mídia, em parceria com a Escola, possam promover o debate a cerca da importância desse tema, por meio de campanhas na rádio, na televisão e na internet que levem as informações de forma clara e acessível , bem como com rodas de conversa e debates em âmbito escolar e público, para que a anulação do outro, como dito por Mario Sergio Cortella, não seja uma característica presente no povo brasileiro.