Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/10/2020
Durante a idade média, muitas pessoas consideradas hereges foram mortas, a exemplo das próprias mulheres consideradas bruxas e cuja sentença era a morte na fogueira. Tal ato era realizado em praças públicas, onde diversas pessoas se juntavam para ver e linchar tais mulheres. Agora, analogamente, ao invés das praças públicas, têm-se as redes sociais. Vale salientar ainda que tal cultura surgiu como forma de buscar a discussão de temas relevantes, mas acabou descartando o debate saudável, limitando-se somente a “cancelar” a pessoa que não possui a mesma opinião da maioria de determinado grupo, sem dar a chance para algum aprendizado ou debate. Assim, têm-se, como consequências, os problemas psicológicos da pessoa que sofre o cancelamento e a propagação da intolerância e ódio. Por isso, nota-se que é preciso combater a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.
Em primeiro plano, para o filósofo Foucault o poder não está em um único indivíduo, está na rede que transcende os indivíduos; e essa rede é composta por discursos, o que os mantêm unidos. Dessa forma, nas redes sociais existem diversos grupos que, se contrariados, acabam por “cancelar” as pessoas de opinião contrária ao seu discurso. No entanto, tal cancelamento não ocorre de maneira pacífica; ao contrário, ocorre de maneira grosseira, com xingamentos, transmitindo, inclusive, medo ao acusado, sem dar chance ao “réu” de se defender nesse “tribunal da internet”. E com isso, a pessoa que sofre o cancelamento, acaba se vendo rodeada de acusações inquisitivas e isso, muitas vezes, traz problemas psicológicos que o faz entrar em depressão, como é o caso do youtuber Spartakus Santiago, que sofreu com o cancelamento e que esteve presente no debate sobre o tema no GNT.
Além disso, segundo o filósofo Chesterton, “Ter o direito de fazer uma coisa não é, em absoluto, estar certo em fazê-la.”. Sob tal ótica, os ataques virtuais do cancelamento vão muito além da livre manifestação do pensamento, tornando-se um linchamento virtual revestido de uma sensação de que quem lincha está linchando por uma boa causa, onde, contraditoriamente, acaba propagando um discurso de ódio para com a pessoa cancelada. Além do mais, isso promove a intolerância visto que tais ataques, na maioria das vezes, não buscam entender, mas sim atacar.
Por fim, nota-se que é preciso tomar medidas que visam terminar com as consequências que a cultura do cancelamento trás. Assim sendo, é dever da mídia promover vídeos informativos sobre a cultura do cancelamento e suas consequências, e isso deve ser realizado por meio das redes sociais com o intuito estabelecer um diálogo ao invés da propagação da intolerância e ódio. Pode-se criar uma “hashtag” para que tais vídeos tenham um maior alcance.