Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/10/2020
“Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos”. Essa afirmação do dramaturgo inglês Oscar Wilde pode ser facilmente relacionada com a cultura do cancelamento, uma vez que parte do corpo social se sente no direito de atacar verbalmente uma pessoa que não compactua com os mesmos ideias. Tal realidade é fruto inegável da negligência social, o qual não prioriza a problemática. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse quadro, pode-se destacar a má educação escolar e a postura dos meios midiáticos que menosprezam essa conduta.
Em primeira análise, é importante reconhecer que a precariedade da educação escolar, somado ao negligenciamento da sociedade, agrava a perpetuação da cultura do cancelamento. Esse panorama é decorrente da falta de preparo da área educacional, visto que não priorizam a necessidade de debater as consequências que o movimento de cancelar pessoas gera, tais como a destruição da vida social da vítima, gerando no individuo quadro de transtorno depressivo. Tal enunciado está em paralelo com o pensamento do filosofo alemão Immanuel Kant, para quem “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, comprovando que uma vez uma boa educação ensina a ter empatia para com o próximo, não será comum a prática de cancelarem pessoas.
Além disso, é importante observar que a postura dos veículos de comunicação, aliado à negligência do tecido social, solidifica a cultura do cancelamento. Irrefutavelmente, essa situação acontece porque o individualismo cristalizado na comunidade urbana resulta em uma mídia imparcial que negligência assuntos em função da fuga do próprio cancelamento. Essa realidade pode ser exemplificada pela crítica do jornalista Caco Barcellos, para quem “a culpa não é de quem não sabe, é de quem não informa”, posto que se os meios midiáticos não mostrarem a gravidade da cultura do cancelamento, a população não terá embasamento para tal.
Diante do exposto, é importante perceber que o movimento para cancelarem pessoas tem origem na negligência da sociedade. Portanto, para solucionar essa problemática é necessário que o Governo Federal, por meio de decreto, crie um plano nacional de combate à cultura do cancelamento. Esse programa teria como finalidade propor junto ao Congresso a criação de leis que alterassem os Parâmetros Curriculares Nacionais de ensino fundamental e médio para incluir debates sobre comportamentos impetuosos na internet, com objetivo de dar habilidade ao jovem de compreender a problemática em torno desse fato. Ademais, esse projeto pode criar regulamentações que obriguem canais abertos a abordarem os malefícios da prática de cancelar indivíduos.