Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/10/2020

Em 2019, o termo " cultura do cancelamento" foi eleito a expressão do ano pelo dicionário Macquarie. Esse vocábulo que em um primeiro momento buscava ampliar a voz de grupos oprimidos e forçar ações políticas de marcas ou figuras públicas hoje dissemina ódio e falta de conscientização. Portando, deve-se combater a cultura do cancelamento.

Nesse sentido, o linchamento virtual tem levado a consequências gravissímas como no caso da blogueira brasileira que tirou a própria vida após ser massacrada nas redes sociais por ter decidido casar consigo mesma após o término de seu relacionamento. Dessa forma, fica evidente o quanto pode ser prejudicial o efeito manada que consiste em seguir um grupo no qual todos reagem da mesma forma, nesse caso com ódio. Isso mostra que a cultura do cancelamento deve acabar.

Ademais, o direito de liberdade de expressão é um direito fundamental, entretanto ele não pode infringir a dignidade humana como tem se  presenciado na internet como no caso do americano Emmanuel Cafferty que foi ameaçado de morte e perdeu seu emprego ao ser filmado fazendo um sinal que foi interpretado como um gesto nazista enquanto ele só estalava os dedos em seu carro. Sendo assim, fica evidente a falha do Estado em conscientizar seus cidadãos ,pois como cita Paulo Freire, educador e filósofo, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Verifica-se, portanto, o impacto de tal “cultura” de forma negativa.

Portanto, medidas são necessárias para evitar a cultura do cancelamento. Cabe ao Ministério da Educação em parceria com a mídia a criação de debates, palestras e publicidade acerca das consequências do ódio virtual na internet de forma que a população possa ter um posicionamento racional perante o outro que respeite a dignidade humana. Dessa forma, será possível tornar o meio virtual um ambiente mais seguro e democrático para a população brasileira.