Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/10/2020

As mídias sociais facilitam a socialização atualmente, por meio de cliques e publicações, influenciadores recebem um maior engajamento ao compartilhar suas atividades diárias. Ao frequentar as redes sociais, deve saber sobre a “cultura do cancelamento”, a onda de publicações com objetivo de amplificar a voz de grupos oprimidos e forçar ações políticas de marcas ou figuras públicas.

A cultura do cancelamento é um meio de romper com a estrutura de poder que protege pessoas privilegiadas na sociedade. No Brasil, a influenciadora, Gabriela Pugliesi, foi “cancelada” em abril depois de postar imagens de uma festa que deu em sua casa,  em meio a uma quarentena por conta da epidemia de coronavírus. Consoante a revista BBC News Brasil, uma multidão online passou a cobrar as marcas que a patrocinavam para que rescindissem os contratos de publicidade com ela, de modo que Pugliesi perdesse pelo menos cinco contratos e o prejuízo teria superado R$ 2 milhões.

Foi publicado por jornalistas, intelectuais, cientistas e artistas, um texto intitulado “Uma carta sobre Justiça e Debate Aberto”. Assinado por nomes de peso como os escritores J.K. Rowling e Andrew Solomon, qualificando a a cultura de cancelamento como “atmosfera sufocante”.  A carta afirma que “a livre troca de informações e ideias, força vital de uma sociedade liberal, tem diariamente se tornado mais restrita. Ora pois, uma das assinaturas remete a J.K. Rowling, que publicou e apoiou atitudes transfóbicas em sua conta no Twitter. Ao se dirigir, mesmo indiretamente, a um grupo marginalizado na sociedade, de maneira negligente, o correto é pedir explicações sobre o ocorrido e no mais extremo o boicote. Afinal, uma sociedade é livre ao permitir a liberdade do próximo, sem discriminações.

É mister o extremismo da situação, e é necessário medidas para amenizar o quadro atual. A onda de cancelamentos é necessária, os influenciadores necessitam de cuidados em suas ações e palavras, principalmente os que tem como alvo, o público infanto-juvenil. Para a conscientização da população brasileira, é imprescindível que grandes influenciadores criem, por meio de publicações e streaming, hábitos de interagirem socialmente livre de preconceito, palavras discriminatórias, ações ofensivas e advirtam os internautas do perigo de alienação, sugerindo ao público criar o hábito de buscar informações de fontes variadas, para manter em mente as consequências do cancelamento. Somente assim, a sociedade aprenderá a distinguir entre o errado e o correto, tendendo a diminuir o preconceito enraizado na sociedade, e a “blindagem” do privilégio.